UFSC no Rio - Final

O banheiro não parava de se chacoalhar todo, e ficamos esperando para ver o que sairia ali de dentro. Logo em seguida outro banheiro do lado começou a balançar também, e o show ficou mais engraçado. Do primeiro banheiro saíram dois caras, suando e ofegando, mas na outra cabine a farra parecia ser bem mais agitada. Depois de vários minutos, quando já havíamos nos revezado para comprar cerveja inúmeras vezes, a porta se abre. E, para espanto de todos, sai um mendigo de lá. Só ela. Essa é a punheta mais escandalosa de que se tem notícia até hoje.

O Martinho da Vila cantava feito doido no palco, o público acompanhava, enquanto outro mendigo nos abordou pedindo moedas para tomar a sua cachaça. Nisso ele ficou um bom tempo dando uma verdadeira lição de moral no Gui. Quando foi embora e achávamos que a área estava limpa, chegou mais um cara, que pegou umas palhas de coco e começou a fazer uma rosa, que ficou perfeita. Depois fez um gafanhoto que era incrivelmente real, a para virar nosso mascote foi um pulo. Demos o nome de Lapadão, uma mistura de Lapa com chapadão.


Brother.

Curtimos um pouco do show e fomos embora.


Parte da galera de SC.

No outro dia, como era o último, já não havia quase ninguém no alojamento. Nessa hora é que percebemos a porquice deixada pra trás: cuecas, embalagens, comida, de tudo. Arrumamos-nos e corremos para pegar o ônibus pro Aterro do Flamengo. Novamente morremos na tenda da praia mais uma vez e resolvemos, finalmente, ir para Ipanema, onde ocorreria o último ato da Bienal, exigindo um percentual do pré-sal para a educação. Socialistas preocupados com isso, nós fomos procurar bancos para sacar dinheiro e um shopping, lógico. Entramos em várias galerias e nada, até que decidimos ir ao shopping do McDonalds. Com tanto tempo segurando, demorei anos pra sair e, quando o Gui foi em seguida, entupiu a privada. Foi aí que flagramos a galerinha da UJS matando a manifestação e consumindo naquela lanchonete fedendo a capitalismo selvagem e mais-valia. Lamentável, hein?


Us manu na Lagoa.

Caminhamos até a Lagoa Rodrigo de Freitas, tomamos uma água de coco cara pra baralho e voltamos para a passeata, que terminou com o pôr-do-sol mais lindo que já vimos, no Arpoador. Demos um pula na famosa estátua do Drummond e voltamos morrendo de fome e pedimos a imensa pizza (mesmo, eles são sem noção) pelo disk-pizza para nos fartarmos na última noite de Rio.


Culturata da UNE.

Pôr-do-sol no Arpoador.

Gêmeos?

Se você achou que a viagem do Rio foi nojenta só por falar em shopping e seus relacionados, leia o que vem a seguir. Resolvemos comer a pizza numa roda feita no chão, entre as barracas, em cima dos colchões. Começamos a comer e beber Coca-cola quando o primeiro arroto saiu espontaneamente. Logo outra pessoa arrotou forte também. Em seguida mais arrotos vieram das outras pessoas, até que a primeira menina soltou um bem sonoro e estalado. Daí virou um arroto bonito atrás do outro. Foi quando o Gui arrotou, virou no colchão com as pernas pro ar para peidar e voltou gorfando. Foi vômito na minha perna, no colchão, no carpete, em tudo. Enquanto todos saíam correndo pra fora do ginásio o Gui ficou parado, com o vômito escorrendo, sem reação.

Depois disso não tinha quem aguentasse o calor agindo no cheiro forte de gorfo azedo dentro do ginásio, e resolvemos pôr as barracas para fora, já que muita gente já tinha ido embora. Quando estávamos conversando, eis que surge o Hare Krishna Mestre Miyagi e a Rafa tenta se esconder atrás de uma barraca. Ele ficou filosofando com a gente sobre tudo o que se possa imaginar, fazendo uma ponte entre o encontro de pessoas e a relatividade dos astros. Depois daquilo, e mais algumas coisa, ficamos completamente retardados durante a noite, o que fez a Camila confundir batata palha com bolacha, o Pink com o Cérebro e criar as definições para os nossos colchões: babado, vomitado e risado.

No outro dia voltamos para Niterói, pois nosso ônibus sairia de lá, e foi bem mais fácil fazer isso contratando uma van. Chegamos lá e nos deparamos com o banheiro sem água há mais de um dia, com dejetos nas privadas e machas nojentas nas pias e no chão. Todos estavam fedendo muito e suados, numa situação deplorável. Nessa hora vimos que Deus existe e nos guiou pro lugar certo. Compramos algumas bebidas e embarcamos.

A volta foi muito, mas muito mais rápida que a vinda, e a maioria veio dormindo depois de ficar extremamente alcoolizada. Chegamos e fomos para casa, finalmente. A primeira coisa que fiz foi usar meu amado shopping center caseiro, feliz da vida.

Na hora do banho, peguei meu barbeador e fiquei em frente ao espelho por alguns minutos. Comecei a reviver a viagem toda e a dúvida de tirar ou não a barba martelava em minha mente. Aprendi tanto com os comunistas e socialistas, e vi que em algumas coisas eles poderiam estar certos. A lâmina encostou-se ao rosto, mas não tive coragem de prosseguir. Lágrimas se formavam em meus olhos em pensar no que fazer da vida; se escolheria o lado esquerdo ou direito do mundo. Foi então que num rompante a lâmina venceu. Afinal, não são as aparências que determinam quem a pessoa realmente é (ou não).

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