UFSC no Rio - 9ª parte

Eu já havia acordado quando uma escola de samba entrou no alojamento batucando forte para fazer todo mundo levantar. Sim, uma escola de samba. Bom, parecia que os comunas estavam tentando enfiar o samba em nossos cérebros de qualquer jeito, e nesse dia já nem reclamava mais.

Todo mundo começou o dia agitado, e logo fomos nos arrumar para visitar o tão famoso Corcovado. Assim, a galera correu pro banho e, de quebra, presenciou uma cena inusitada. Apesar da pressa de todos, um rapaz altamente significante passava óleos, cremes e vários tipos de shampoo e condicionador em seu banho de sais. Ele tinha o cabelo escorrido, daqueles que faz chapinha com o ferro de passar roupa, adornado com pontas rosa-choque, e talvez seja por isso que cuidava tanto das madeixas. Nisso chegou um negão e ficou do seu lado. Ao perceber a figura, jogou propositalmente seu sabonete no chão e indagou bem alto: "Vixeeeee, meu saboneteu caiu! Quem será quem vai juntar pra mim?". Sacanagem. Não, mas essa não é a cena inusitada. O que nos causou espantou foi ver o Diego fazendo a barba. Barba... pfff!

O sol estava de rachar, mas como queríamos ver o Cristo Redentor tivemos que caminhar por vários quilômetros até chegar ao ponto de ônibus fora da UFRJ, não antes do Diego arrebentar o seu chinelo. Era feriado no Rio, e o busão custou muito a chegar. E andamos por vários e vários bairros, passamos pela Apoteose e finalmente chegamos ao pé do Morro do Corcovado. Como nada naquela cidade aceitava meia-entrada, nem me preocupei em levar comprovante. Mas para quebrar minha cara, no bondinho do Cordovado davam desconto. Foi por isso que fomos em uma Lan House imprimir atestados de matrícula que, por sorte, vendia chinelos. O Diego comprou um enquanto eu aproveitava para ler algumas manchetes em uma banca de jornais, afinal nós estávamos sem saber algo sobre o mundo há vários dias. No fim quase todos falavam sobre o Big Brother, e desanimei.


Turistas.

Como tínhamos que esperar mais de duas horas para o próximo bondinho, demos uma volta por Cosme Velho, o bairro do Cristo. A Tassi estava morrendo de fome e resolveu parar para perguntar o preço em um restaurante. Fiquei do lado de fora e, de repente, reparei numa placa que dizia "Neste local viveu Machado de Assis de 1883 até sua morte em 1908". Quando a Tassi voltou perguntei se ela havia visto aquilo, sem saber que ela cursava Letras por causa dele. Lógico que ela comeria ali na volta, independente do preço. Pegamos o bondinho e subimos aquela morreba toda, até conhecer a estátua. Quando falam que Jesus foi o primeiro socialista talvez haja uma certa verdade, pois até a cabeça da estátua tem uma leve inclinação para a esquerda.

Momentos EMOcionantes.

A visão que se tem de lá é incrível, mas as nuvens estavam tirando uma com a nossa cara e tínhamos que ficar correndo de um lado para o outro quando as nuvens passavam para ver alguma coisa. Tiramos a tradicional foto de turista e descemos. Lógico, dias como esse cansam muito, e a maioria desceu o Morro do Corcovado dormindo.


TODOS DORME

Voltamos ao restaurante, mas como era caro pra burro Diego e eu fomos num mercado ali perto e comemos no ponto de ônibus, afinal é isso que fazem os comunistas modernos, não? Nessa hora, mais uma vez, meu intestino me traiu. Corri para o shopping do restaurante, mas o masculino estava trancando. Eu fiquei um tempo no espelho, fingindo arrumar o cabelo, enquanto me contorcia na porta. Bom, eu tinha aprendido na Bienal que a machistomofobia não leva a nada, e pensei "Por que não usar o banheiro feminino?". Passei a mão na fechadura e ele estava aberto. Olhei para os lados, ninguém. E lá fui eu. Que sensação indescritível!

Depois disso fomos procurar algum lugar para pegar o ônibus para a Lapa. Já no ponto, resolvi me sentar na calçada e pisei num monte de merda. "Porra, gordo e preto só se fodem, né?", indagou o Marcelo. "Pois é...", respondi, limpando o pé. Nisso chega o Diego e adivinhem: pisa no mesmo monte de merda, confirmando a teoria de Marcelo, o Sábio.

Chegamos na Lapa, o antro do inferno. Mendigos, bêbados, travestis fazendo ponto, policiais em cada centímetro cúbico com seus fuzis e viaturas, e muita, mas muita gente feia. Sujeira pra todo canto, ambulantes em tudo que era lugar... Lá nem os banheiros químicos eram discretos: na porta apresentavam um adesivo gigante escrito Faxx.


Passe um Faxx você também.

O show da Elza Soares mal começou e encontramos o pessoal do DCE, todos completamente retardados. Conheci o Viete da Psicologia, vi o Pinguim (Economia) agarrando umas mina, o Nando Reis (Economia) sofrendo com com a viadagem do Fúria (ADM), que abraçava todo mundo fazendo declarações de amor. Nesse momento um cara da Letras dormia sobre as malas, amontoadas no meio da roda. A Bruninha (Serviço Social) não falava coisa com coisa, e a..., bom, melhor deixar quieto. No chão encontrei uma carteira de motorista jogada, logo após a Camila apresentar seu novo amigo paranaense, famoso por oferecer seu sushi nos encontros. O importante é que vimos que a UFSC realmente ensina bem: a galera de Serviço Social literalmente passou o rodo geral.


Portais do Inferno.

Bom, decidi que também queria ficar naquele nível e fui descobrir onde havia bebida mais barata. Foi ai que achamos uma distribuidora de bebidas vendo Itaipava a R$2,00 e aceitava cartão de débito. Finalmente! Daí sim a noite foi ficando boa. Até demais. O show foi acabando e precisamos carregar o Fúria para o ônibus. Era o fim de noite para ele e também para nós. Ainda enfrentamos um ônibus cheio de gaúchos chatos e sobrevivemos. Mas o outro dia seria muito importante, pois descobriríamos que o evento nos havia transformado, imperceptivelmente, em comunistas.


[Continua...]

Um comentário:

  1. Mas o outro dia seria muito importante, pois descobriríamos que o evento nos havia transformado, imperceptivelmente, em comunistas.

    no way.

    ResponderExcluir