UFSC no Rio - 8ª parte

Vocês acham que foi tudo maravilha na Cidade do Samba? Errado! Mesmo o espaço sendo gigante, o acesso foi restringido a 2 mil pessoas, o que fez muita gente ficar do lado de fora, inclusive o pessoal do DCE da UFSC que se atrasou vindo de Niterói:

UJmerda? Xiiiiiiiiiii...


Acordamos tarde mais uma vez, mas esse era o dia da faxina. Devido ao calor extremo, já estávamos sem roupa para vestir e nos obrigamos a lavar um pouco. A essa altura o shampoo do Diego já havia sido roubado, fazendo aquela cabeleira toda ficar ainda mais bizarra. Arrumamos a bagunça e vimos o monte de lixo que se formava no carpete que forrava o chão de madeira do ginásio. Universitários são um poço de educação e civilização, não é mesmo?

Cara, que vontade que dá de ir no banheiro no dia seguinte a uma farra... E não dava pra controlar. Fui no banheiro "normal", mas todos estavam em péssimo estado (mesmo). Comecei a suar frio, pensando que iria morrer entupido, quando me veio à mente usar um dos banheiros químicos lá de fora. Roubei muito papel higiênico e fui., ja que na hora parecia uma boa ideia.

Depois de um tempo convivendo entre comunistas você começa a entender melhor a vida selvagem, e se adapta à nova realidade. Comecei a perceber que há dois tipos de banheiro químico: 1) o que tem um mictório do lado esquerdo - onde sempre cagam - e um suporte para latinhas de cerveja mais em cima - que é inclinado e sempre cai em cima de você; 2) o que tem o buraco no meio e dos lados possui duas plataformas retas, ideais para colocar os pés. Fiquei procurando a solução ótima (opção 2) até que achei uma e me tranquei. Havia um detalhe que ficou esquecido no planejamento: o calor. Se já fazia 40 graus lá fora, imaginem dentro de um banheiro químico fechado, tomando sol desde o amanhecer até às 10:30 da manhã, com resíduos acumulados de cinco dias. Olha, não sei como sobrevivi, mas corri direto pra outro banho.

Como já havíamos torrado grana demais, resolvemos ir até a tal Vila Residencial, um vilarejo dentro da UFRJ, para ver se havia algum mercado (com shopping, de preferência). Pegamos um ônibus que levava até lá, que demorou. E quando chamam aquilo de vila não erram não: o lugar parece o interior do interior do Brasil, com mercearias minúsculas e casas grudadas umas nas outras, com igrejinha no centro e uma santa na praça. É, não tinha shopping. Compramos vários Cup Noodles, bolachas e sucos e voltamos para bater aquele rango.


Pronto em 3 minutos O CARALHO!

Depois disso, fugimos da sauna que chamavam de alojamento, colocamos nossos colchões no pátio (onde batia um vento delicioso) e ficamos lagarteando por lá. Claro, ficamos jogando papo pro ar, enquanto o Gui foi comprar picolé. Acontece que a vendedora era chinesa.

- Oi moça, me vê um picolé!
- Lelé?
- Pi-co-lé!
- Ah! Filé! Filé de flango!
- ...
- ... (ela percebe o erro e pega o picolé).
- Quanto é?
- Dozinzinguenta!

No fim o Gui volta para o alojamento com um sacolé de açaí com granola. Ele não gosta muito e me oferece. Eu, burro preguiçoso, como deitado e derrubo um monte de açaí no meu travesseiro. Merda. Foi aí que o Diego, o Gui e umas meninas foram beber em algum lugar. Nisso passa um cara por nós e fica meio que olhando e tal... Suspeito, mas ignoramos e ele foi embora. Lá pelas tantas ele volta e fica parado, rindo, nos olhando. No fim das contas ele decide se expressar pelo uso moderno das palavras:

- Oi - proferiu ele.
- Oi - respondi.
- Vocês são de onde?
- De Santa Catarina, e você?
- Do Pará.
- Legal...
- Então... Tem uma musiquinha que a gente do Pará canta pra vocês de Santa Catarina, mas não vou cantar agora porque tem menina perto...

Nisso a Ivana e a Jaque se afastam um pouco e lá volta o Pará:

- Então, querem ouvir a musiquinha que a gente canta pra vocês?
- Manda lá...
- "Arerêêêêê... Gaúcho dá a bunda e fala tchêêêêê..."
- ...
- =D
- Nós não somos gaúchos, cara. Quem é de Santa Catarina é catarinense, quem é do Rio Grande do Sul é gaúcho e quem é do Paraná é paranaense.
- Ah, pra gente todo mundo do Sul é gaúcho.
- Dá nada... Pra gente todo mundo do Norte é índio...

Ele foi embora, não muito contente (e o pior é que ele tinha muita cara de índio). Depois voltamos ao momento de reflexão: nos disseram que o Arland (Economia) tinha ido pro Espírito Santo após o CONEB. Já a Carina foi embora também logo após o CONEB. Foi como somar 2 + 2 = Será????? Que bafão! Um tempo depois o Diego e o Gui voltaram do bar, bêbados, pois lá surpreendentemente o preço era 3 por 5. Que saudade!

Quinta da Boa Vista, mais uma vez. Pelo menos lá, como era mais sussa, podíamos tomar nossa querida tequilinha. Ia rolar show da Leci Brandão e do Arlindo Cruz, e queríamos curtir ao máximo. Naquele dia, após as reclamações, havia uma estrutura de bar grande que aceitava até cartões de crédito. Porém ao invés de eles usarem todo aquele grama gigante e colocar o bar mais ao fundo, resolveram montá-lo ao lado do palco, matando uma vista enorme do barranco da esquerda e criando um tumulto sem fim, pois a fila se formava no meio da plateia. Mesmo assim ficamos por ali, e começamos a maratona de tequila, que logo acabou e foi substituída por cerveja.


Bares bem localizados.

Aos poucos aquilo foi batendo, até eu ver o Sartoti (Direito) sambando e tudo o mais. Logo após encontramos a galera do DCE, que mais uma vez nos perguntou sobre o nosso alojamento. Novamente dissemos que era bem melhor que o de Niterói e eles ficaram meio incrédulos. Mesmo assim continuamos a festa, que depois de um tempo passou por algumas nuvens brancas, coloridas e multifacetadas, e quando vi estava na frente do palco vendo amarradão o Arlindo Cruz cantar. Tenso.

Voltei a tempo de acompanhar algumas conversas sem nexo do nosso pessoal, mas devia ser o sono. E assim decidimos que era hora de partir, pois no dia seguinte andaríamos muito e o show seria na Lapa, portal do inferno.


[Continua...]

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