UFSC no Rio - 7ª parte

Nunca tomei um banho tão rápido na minha vida, e aposto que com todo mundo foi assim. Pegamos a primeira roupa que havia pela frente, a tequila, sal e limão e corremos pro ponto de ônibus. Ele estava quase saindo, mas conseguimos. A preocupação agora era outra: será que poderíamos entrar na Cidade do Samba com a tequila? A Ivana colocou-a em sua bolsa e fingimos que não era nada com a gente. Uma outra menina desconhecida pediu pra colocar na bolsa uma bebida não identificada pela ciência, e topamos na camaradagem.

Chegando próximo ao portão, fudeu! Eles estavam revistando tudo. Tentamos voltar, mas um guarda nos disse que se saíssemos havia a chance de não conseguirmos entrar, pois o número de pessoas no local era limitado. Valeu ae, UNE!

- Mas...
- Olha, se eu fosse vocês não sairia não - alertou o guarda.
- Mas nós não podemos entrar - disse a Ivana.
- Ué, por que?
- Porque tô com algumas bebidas aqui...
- Por favor, me acompanhe.

VIXE! Nos levaram para uma salinha com mais alguns guardas e pediram para esperar. "Lá se foi nossa tequila", se queixou Tassi. Depois de alguns minutos um deles voltou e disse que guardaria as garrafas pra gente e poderíamos pegar no fim do show. Ficamos meio incrédulos, mas não havia o que fazer. Ser pobre é foda, né?

A Cidade do Samba é um lugar enorme, com os barracões das Escolas de Samba do Rio. Aproveitamos para dar uma espiada nos carros da Grande Rio, que homenagearia Florianópolis nesse carnaval, enquanto algumas turistas tiravam fotos.


Não vou fazer a piada da Mangueira entrando no recuo. Sério.

Graças a Deus havia várias cadeiras, pois estávamos podres do dia cansativo. Feito velhas jogando bingo, esperamos aquela falação natural de aberturas de eventos, e não foi diferente na Bienal. Logo o povo se levantou e subiu nas cadeiras pra ver Beth Carvalho entrando no palco, de cadeira de rodas. Duas músicas foram o suficiente pra mandar o cansaço pra fruta que caiu e fazer a galera dançar. As panteras Camila, Rafa e Carol, que não andaram com a gente durante o dia, estavam mais loucas que o Claico chapado de cogumelo do sol. Não paravam de rir de qualquer coisa que acontecesse. Qualquer coisa! Enfim, minha religião não permite usar esses negócio ae...


Tassi feliz.

Aqui vai um adendo importante: nós achávamos que o Paraná era o estado mais chato. Achávamos, pois o Ceará superou tudo o que é sem-noçãozisse possível. Quando a Beth Carvalho terminava uma música, o pessoal começava "Uhhh Ciará! Uh Ciará! Uh Ciará, uh Ciará, uh Ciará!". Quando o apresentador falava algo, lá vinham eles de novo. Quando o Diego peidava, mal fedia e eles começavam o berreiro. Sério, desagradável foi pouco.

Vocês sabem que a Aids anda por aí, né galera? Na Bienal mesmo, se você respira fundo tem risco de pegar. Então se liga na dica: depois da Beth (íntimos), fui comprar uma Devassa com o Gui. Lá no bar havia três moleques da comunidade (sim, não havia só o pessoal da Bienal). Um deles foi esperto e pendurou uma camisinha no brinco. Prático, não? Quem sabe vira até moda!

- Cara, o que eles tão berrando? - um deles perguntou.
- Uhh Paraná... - respondi.
- Ah, Paraná! Achei que fosse guaraná...
- Antes fosse.
- Vocês são de lá?
- Não, não... Somos de Santa Catarina.
- Hum... Então, aqui há uma lenda de que as mina de lá são as mais gata. Confere?
- Não é lenda, não!
- Fechô, então, brother! Bora descer pro Sul apavorá geraaaaaaaaal! - disse ele, enquanto o outro menino alisava a sua camisinha de orelha.

Enquanto a gente conversava o e Gui pegava o número do telefone deles (mentira) (?) a Mocidade Independente entrava no palco. Primeiro a bateria e em seguida as belas passistas. Depois disso ninguém mais ficou no lugar. Era quem mais podia subir nas cadeiras pra poder ver tudo. O gordo aqui subiu, se empolgou e quebrou uma delas. Gordo só se fode!


Explode coração na maior felicidade...

Mas o que mais queríamos estava prestes a começar: o show do Marcelo D2 cantando Bezerra da Silva. Eu sempre desconfiei que o Bezerra fumava um cigarrinho do capeta depois daquela música "Vou apertar mas não vou acender agora...", e estava para descobrir que ele era um maconheiro desgraçado. Fomos para mais perto do palco e o show começou com D2 acompanhado do Leandro Sapucahy, pois sua voz não estava das melhores devido a uma rouquidão. Obviamente, muita gente entrou no clima das músicas e legalizou geral. Lá pela quarta ou quinta canção o show começou a fazer mais sentido pra muita gente da UFSC, e acho que deve ter sido aquela fumaceira toda. Tá amarrado 3x!


Quem joga a fumaça pro alto?

Aos poucos coisas bizarras começaram a aparecer. Um vovô barbudo de amarelo, que apelidamos de Fofão, deu uma demonstração de samba de gringo no meio da raça. Já um sambista de vermelho, "profissional", exibia sua elegância de girafa manca pra mim e pra Tassi. Contudo o destaque da noite foi a bixinha de camisa branca, que rebolava mais que a Valéria Valença sambando em cima de uma cama elástica.

Nessa hora a sacola de limão, que ficou com a gente, já tinha virado limonada, e era chutada de um lado pra outro. Estava tão insuportavelmente quente que era impossível se importar com isso, ou será outra coisa? No telões apareciam várias imagens de sambistas colocando um canudo do Bob na roda e eu fiquei surpreso, mas ao mesmo tempo tudo começou a fazer mais sentido.

Lá pelas tantas um cara invadiu o palco, e logo foi retirado pelos seguranças. Mas vocês acham que ele desistiu? Que nada! Ele tentou várias vezes, até numa delas acertar o nariz do D2, que foi para o backstage e o Leandro ficou por ali enquanto ele buscava uma toalha. Nessa hora várias meninas invadiram o palco, e é claro que elas ficaram por lá com os cantores, sensualizando (incluindo a Cariúcha).

Chega de samba! Agora é hora de funk! MC Sabrina entrou no palco e deixou todo mundo de cara. Os homens babavam nela. As meninas babavam de inveja. As bibas babavam nas coreografias. Na real, ela é uma mistura de Michael Jackson + Beyoncé + Mulher (insira alguma fruta aqui).



Que SEXY a gordinha de óculos!

Já estávamos lá pelas tabelas, assistimos um pouco do MC Sapão, que veio na sequência, mas decidimos ir embora. Fomos pegar a tequila, que depois de muita apreensão foi devolvida, e subimos no ônibus. O Gui literalmente desmaiou, caindo pra cima de mim e do banco da frente. Na verdade todos estavam assim, mas o outro dia ainda reservava mais histórias (desagradáveis).


[Continua...]


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