UFSC no Rio - 5ª parte

Primeiro conhecemos a Marizinha, uma guria muito gente boa de São João del Rei, Minas Gerais. Conversamos um monte de tolices enquanto ela esperava dar a hora de pegar o ônibus para o alojamento da Letras. Nisso deu tempo de ver um cara extremamente bêbado do Paraná ajoelhado, implorando o beijo de uma gordinha. "Eu amo gordinhas...", dizia ele, quase aos prantos.

Lá no galpão o sexo rolava solto, ao vivo e a cores, pra quem quisesse ver. Dois caras se acariciavam com a boca enquanto uma menina, talvez cansada do CONEB, sentava no colo de um rapaz. Nós conversávamos com a Marizinha quando apareceu o Albino, um cara de Santa Catarina que simplesmente não sabia onde estava. Ele era de Itajaí, desceu em um alojamento mas depois do show foi parar no Fundão. Demorou para ele perceber que aquele não era o seu lugar e ficamos tentando descobrir, porém ele não sabia mencionar nada do local em que dormiu na noite anterior. Tem drogas de que definitivamente eu quero distância.

Decidimos ir ao ponto de ônibus, mas no caminho a Marizinha encontrou uns amigos mineiros e nós provamos a deliciosa cachaça de lá. Sem comparação com a Misteriosa do Encantado... Cachaça mineira é boa demais! Esperando o busão estavam também outras duas meninas, e como o álcool já estava na cabeça, puxei papo. Elas eram de Londrina e também iriam pro alojamento de Letras. Uma delas, Gabriela Rondado, era a mais simpática. Para a minha surpresa, ela disse que já fez parte de uma parada em Santa Catarina que a memória não me ajuda a lembrar e (pasmem!) é amiga do Fred da lista do CEB! Sim, lá no Rio de Janeiro eu encontrei uma paranaense que é amiga do Fred! Vi que aquilo era demais pra mim e decidi conversar mais um pouco com a Marizinha, que recebeu um caloroso Tchu Tchu da galera. O ônibus chegou e ficamos mais um tempinho bebendo. Já era hora de parar, pois o Marcelo estava soltando piadas do tipo "Sabe por que a mata é virgem? Porque o vento é fresco". Não dá, né?!

Seis horas da manhã! Hora de acordar a raça. No corredor dormia tranquilamente o Cotoco, o Che Guevara fotógrafo, sem colchonete ou travesseiro. Esse deve estar no nível 7 dos comunistas. Bêbados, eu e o Diego abrimos as barracas e não parávamos de gargalhar enquanto todo mundo se levantava. O pessoal do Paraná começou com o infernal "Uh Paraná! Uh Paraná! Uh Paraná, Uh Paraná, Uh Paraná!" e vários outros estados começaram a berrar também, até sair um "O povo unido é gente pra caralho!". A Tassi voltou do banheiro indignada, pois não conseguiu tomar banho. Ele estava interditado pois uma menina havia recebido um espírito lá dentro. Esse tipo de espírito eu conheço muito bem...

Todos foram meio bêbados no ônibus até o Maracanazinho. Obviamente o sono começou a bater, mas logo teríamos uma chance de descansar. Assim que chegamos não havia informações se o café da manhã seria dado lá, e então fomos a uma lanchonete. Começou uma discussão básica com a Carina sobre a organização da UNE, mas nada que prejudicasse nosso dia. Quem bebe sabe que no dia seguinte dá aquela vontade de ir ao shopping, e foi com isso em mente que eu e o Gui fomos procurar algum no Maracanazinho. Logo apareceu a oportunidade em um banheiro para deficientes, mas a porta não fechava. Pedi para o Gui vigiar o local e me desmanchei sem pressa. Quando estava lá, de olhos fechados e de cabeça erguida, completamente concentrado, a porta se abre: era a faxineira. Puta merda, Gui!


Onde está Che?

Depois do vexame fomos para a arquibancada. Ar condicionado, sono batendo, falação chata pra caralho. Sabe do que mais? Vou dormir. Me deitei no chão mesmo e tirei um ronco. Logo após me acordaram dizendo que iriam a um shopping de verdade, e resolvi ir junto. Decisão errada. O sol estava escaldante e o local era longe. Nós andamos feito zumbis pelas lojas e quase dormimos sentados a uma mesa. Foi aí que resolvemos voltar à plenária e descobrimos que o almoço (das 4 da tarde) seria servido na UERJ, ali perto.


UERJ.

Pelo menos valeu a pena - um delicioso strogonoff de frango foi servido. Bateu aquela maldita vontade, de novo, de ir ao shopping. Enquanto isso a galera conhecia o Genivaldo, um ex-policial que agora é guarda da UERJ, contando histórias mirabolantes sobre os tiroteios do Rio e sua experiência com armas.

E agora? Onde vamos pegar o busão? Mais uma vez estávamos perdidos. Por sorte achamos um que iria para lá e seguimos para o alojamento, que estava absurdamente abafado. Fomos ao Baile do Simonal na Quinta da Boa Vista e gastamos mais um pouco do nosso precioso dinheiro com os ambulantes.


O profº Esperidião Amim marcou presença.

Na volta o ônibus foi à loucura com a Cariúcha, uma menina que não parava de causar, e os pernambucanos fazendo a melhor musiquinha de excursão que já vi até hoje:

O Pernambuco vem aí e com ele ninguém pode,
Segura o cu senão você se fode!

Segura o cuuuuuu,
Segura o cuuuu,
Segura o cu, segura o cu, segura o cu!

Abaixa o cuuuuuu,
Abaixa o cuuuu,
Abaixa o cu, abaixa o cu, abaixa o cu!

Levanta o cuuuuuu,
Levanta o cuuuu,
Levanta o cu, levanta o cu, levanta o cu!

Um clássico que ouviríamos várias vezes. E fomos dormir, podres, sem saber o que o dia seguinte nos reservava.


[Continua...]

Um comentário:

  1. o povo de pernambuco continua cantando isso então?
    ahhaha eles não cantaram aquela do Bororó???????

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