UFSC no Rio - 4ª parte

Ali, guardando lugar na fila do "RU", ouvi o Marcelo contando para a Tassi sobre uma aventura que havia acabado de viver. Procurando um banheiro, ele caminhou por vários e vários corredores intermináveis (mesmo) em busca de um que tivesse papel. Após várias tentativas frustradas, já com "sangue no zóio", pensou em cometer uma grande besteira quando viu duas confortáveis caixas de papelão no meio de um corredor deserto. Desistiu, mas em um ato de desespero arrancou os avisos de um mural de estágio e correu para o primeiro vaso que viu pela frente. Contudo, logo adiante ele avistou, escondido atrás de várias portas e escadas, o lendário banheiro cujo papel possuía a textura de pétalas de rosa. Não desperdiçando a oportunidade, decidiu sentir a textura no lugar certo e, encantado, guardou aquele caminho para voltar assim que necessário fosse.

Nós não conseguíamos acreditar em tal lenda, mas decidimos tentar peregrinar pelos assombrosos corredores do CT em busca do Um Papel. Almoçamos muito bem (aliás, a comida estava de parabéns) e logo ao fim formamos a Sociedade do Papel: um hobbit (eu), um anão (Gui), um orc (Diego), um mago (Marcelo) e uma elfa (Tassi). Subimos até o primeiro andar novamente, pegamos o Corredor Sem Fim e andamos alguns quilômetros. No bloco H, entramos na porta à direita, descemos uma escadaria, pegamos alguns corredores compridos, subimos mais um lance de escadas, entramos por uma porta aparentemente fechada, depois estávamos em uma dispensa, logo após num armário de limpeza. Marcelo nos apontou o curioso banheiro onde a janela ficava do lado do vaso mas era tão baixa que, quando a pessoa sentava, fica exposta da cintura pra cima completamente. Intimidade pra que, né?!


Um dos inumeráveis corredores que cruzamos.

Continuamos a peregrinação por mais alguns caminhos obscuros. Nos perguntávamos como o Marcelo havia andado tanto e achado aquilo na situação em que se encontrava. Após 25 minutos lá estava ele: o lendário Banheiro Branco com o incrível papel macio como algodão virgem. A Sociedade do Anel aproveitou para fazer As Duas Torres após o almoço e nem teve pressa, para evitar que O Retorno do Rei ao trono fosse mais cedo que o desejado.

Aliviados, encontramos um panfleto da Contraponto no chão: esse sim, dentre os panfletos, era o melhor! Já o da UNE era uma merda. Muito liso, só lambuzava. No hall de entrada estavam vendendo camisetas a favor do Che, contra a Globo, naturalmente. Uma babylook dizia "As meninas boas vão para o céu. As más vão à LUTA!". VIXE!

A cromoterapia diz que o vermelho deve ser usado em doses moderadas, por ser uma cor muito cansativa. Deve ser por isso que logo saímos daquele ambiente e fomos descansar um pouco no alojamento. Não adiantava muito, mas pelo menos havia algum lugar pra deitar. Descansados, voltamos para um ponto de ônibus com destino ao jantar, mas antes conhecemos um cão furioso com seu próprio rabo: o Giracão. Ele ameaçou atacar uma sergipana que, no futuro, revelou ser um affair do Gui. É... O Rio encurtou distâncias...


Nosso alojamento - ALOKA

Nós estávamos loucos atrás de informações para saber de onde sairia o ônibus para o show na Quinta da Boa Vista. Procuramos por todos os cantos e nada de achar alguém da UNE para dar informações. Por isso chegamos à conclusão de que UNE significa "União Não Existente", pois até então não havia aparecido ninguém. No fim nos viramos e descobrimos que o ônibus sairia do alojamento.

Chegando na Quinta demos de cara com um lugar bem diferente. Havia um palacete de Dom João VI, uma cápsula do tempo, um lago, um gramado gigante e... ah, meu Deus, os comunistas de novo... Saco. A estrutura era muito boa, com um palco enorme e telões de led. Pena que a UNE esqueceu de um detalhe, bobo talvez... Não sei, pode ser coisa minha, mas CADÊ A PORRA DA CERVEJA??? Havia 1 (uma) (one) (una) barraca de ambulante vendendo Antarctica quente (sim, QUENTE) a inacreditáveis R$4,00! Isso foi o suficiente para fazer a galera broxar, mesmo com um show bom. Eis que surge ao nosso lado o incrível, exuberante, fantástico, proparoxítono Mestre Miag (que posteriormente seria apelidado de Hare Krishna) com sua performance exótica sensualizando a Rafa. Ela ficou com tanto medo que correu pra trás do povo.


Antarctica deliciosa.

O Diego salvou a minha noite achando um vendedor da Misteriosa do Encantado, uma cachaça milagrosa da Paraíba. A única cachaça que "purifica, tonifica, lubrifica, dá o lustre, revigora, faz crescer e ficar bonito, além de ser feita de tri-fosfato de pó embelezador, partindo do principio de que ninguém é feio, você foi quem bebeu pouco". Nessa hora presenciamos o maior manifesto estudantil da viagem: todos os estudantes berrando em uma só voz "Cadê a cerveja?". Lindo! Acabado o show, voltamos para o alojamento pensando em dormir, frustrados. Mas a vida é uma caixinha de surpresas...

Havia muitos ambulantes (mais baratos) e festa, como na noite anterior. Muitas pessoas ficaram por lá, incluindo a gente. Como tínhamos sido avisados que teríamos que acordar às 6:30 da manhã para ir ao Maracanazinho, decidimos virar a noite. Meu estômago resolveu avacalhar, pra variar, mas os banheiros estavam todos ocupados, restando só os químicos. Foi aí que o Marcelo me ajudou revelanda a milenar técnica do Faroeste: em posição de saque, a camiseta numa mão, o papel na outra e mirando sem encostar. Tentei e deu certo!

A madrugada foi passando e fomos conhecendo várias pessoas de todo o Brasil, mas até lá, em meio a um mundo de desconhecidos, a lista do CEB da UFSC pode nos assombrar...


[Continua...]

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