UFSC no Rio - 10ª parte

Acordamos atrasados para o último dia de programação da Bienal. A ressaca deixou todos meio lentos, obviamente, e fomos correndo tomar banho e aproveitar os últimos ônibus para o Aterro do Flamengo. Chegamos lá num calor absurdo e fomos pegar uma camiseta horrível GG e os certificados que, surpreendentemente davam 60 horas de participação. Por mim todo programa de extensão poderia ser assim.

Descobrimos que havia uma deliciosa tenda na praia do Flamengo, com puffs brancos e uma brisa muito boa, se é que vocês me entendem. Nos jogamos por ali, pois o calor estava insuportável, e ficamos tão largados que ninguém falou uma palavra por vários minutos. Foi depois de tanto refletir que Marcelo, o magnífico, pronunciou a célebre frase "a água molha". Quanta sabedoria meu Deus!

Depois de lagartixearmos na praia, resolvemos visitar o Museu da República, que ficava bem próximo. É o antigo Palácio do Catete, onde ficavam os presidentes antes de Brasília existir, e seria interessante ver as velharias. Coloquei uma camiseta na cabeça e fiquei imitando meus ancestrais, enquanto visitamos uma gruta. Estávamos andando pelas calçadas do imenso jardim quando o Diego resolve ter maior contato com a natureza e pisar na grama. "Piiiiiiii!", apitou o guardinha, expulsando o Diego na hora. Nem falo nada...


Caverna do Osama.


Entramos e começamos a observar os objetos históricos, como uma caneta, uma colher de chá e um lenço. Ah vai pra p... Uma placa dizia o investimento no Palácio:

- Aqui diz que foram 3000 contos de reis.
- Nossa! - disse o Gui, espantado.
- É... - respondi.
- Isso é muito dinheiro!
- É?
- Sim, vocês nunca viram novela da Globo? 3000 contos de reis é dinheiro pra caralho!


Sacadinha do Getúlio.


Passeamos por todo o palácio, pelo quarto do Getúlio Vargas, até que o Diego começou a desesperadamente procurar um shopping. Sim, senhoras e senhores, até no museu pensávamos nisso. Dado à proximidade, ele não pensou duas vezes e usou o mesmo banheiro que os nosso excelentíssimos presidentes usavam para assinar suas medidas provisórias. Lá foi ele, num cubículo, e voltou tenso, pois a faixa presidencial não queria ir embora. Lamentável.


Meu novo livro de cabeceira.


Brasil s2 s2 OUAHOUAHOUAHOAU

Decidimos então pegar um metrô para ir mais próximo da Lapa, onde aconteceria o show do Martinho da Vila. Assim que saímos do metrô, na estação Carioca, chegamos em uma praça muito familiar: ávores altas, pombas e chilenos tocando flauta. Sim, por um minuto pensamos que aquilo era a Parça XV! Fui até uma banca de jornal ver as notícias mas, mais uma vez, só se falava em BBB. Foi então que achamos um restaurante que cabia em nossos bolsos.

Depois de dias comendo Cup Noodles, finalmente sentíamos o gosto de comida de verdade. Estava uma delícia, tirando as moscas por toda parte. Ali no restaurante resolvemos montar nosso trajeto do dia usando palitos de dente, e foi aí que sentimos falta do Cintra, pois ele sempre sabe de tudo (ou não). Decidimos então que nosso próximo passeio do dia seria pegar o bondinho da Lapa, que ficava perto. Esperamos vários minutos até que pagamos a fortuna de R$0,60 e entramos. Logo de cara vi que algumas pessoas iam em pé na lateral, o que dava mais emoção na viagem, e era lógico que eu tentaria fazer aqui. Uma família interia foi pendurada, incluindo uma guria que quase esfregava os peitos na minha cara e com o pai dela do lado. A situação foi, no mínimo, inusitada. Passamos pelos arcos da Lapa e fomos até Santa Tereza, onde descemos e conhecemos um pouco do lugar. É um bairro bem antigo e mostra bem como era o Rio de Janeiro há anos atrás. Muito bom, se não fosse encontrar lá o temível Mestre Miyagi, que aterrorizava os sonhos da nossa amiga Rafa. Ele é onipresente, só pode.

Depois voltamos (eu pendurado), e descemos a tempo de conhecer a escadaria da Lapa. Trata-se de uma escadaria toda colorida, feita por um artista estrangeiro que mora ali, com milhares de tipos de azulejo. Nisso um homem nos convida a entrar em um ateliê: era o próprio Selarón, criador da obra de arte da escadaria. Sentados no final dos degraus, avistamos no bar da frente o famoso anão loiro da UFSC. Que mundo pequeno!

Mesmo com o mau humor do Diego, fomos à Catedral da Lapa. Ela é alta e gigante, em forma de cone. Nosso passeio foi tão bonito por lá que não tenho o que contar. Chatice. Como igreja não é o nosso lugar, fomos pro antro do inferno encarar um barzinho para espantar o calor. Mais uma vez o mundo demonstrou seu tamanho quando encontramos lá um pessoas de Itajaí, da UNIVALI. Bebemos algumas juntos e jogamos papo fora enquanto anoitecia no Rio. Resolvemos ir a um banheiro químico antes dos shows, mas todos saíram correndo com ânsia de vômito. Sério, não dava pra suportar.

Compramos cerveja na distribuidora e ficamos batendo um papo na calçada. Começamos a bater um papo descontraído e a avaliar os dias no Rio, quando algo temível aconteceu. Às 21:01 do dia 21/01, no meio do show do Martinho da Vila, nós chegamos a conclusão de que havíamos, finalmente, virado socialistas. Nesse instante nos pegamos conversando sobre as diferenças entre os regimes de governo, as vantagens do comunismo e socialismo, os contras do capitalismo e a análise geral da política brasileira e internacional. Sem contar com nossas barbas gigantes, roupas sujas e suadas e nossa fome ogra. É, eles venceram.

Pra se ter uma ideia eu estava tão assado entre as pernas que coloquei a camiseta da UNE por dentro da cueca para tentar andar melhor; o Marcelo conseguia dar tranças na barba e achamos normal uma menina, já naquela hora, sair vomitando rua afora. No auge de nosso conformismo com a descoberta do socialismo em nossos corações percebemos um movimento muito estranho em um banheiro químico, e lá fomos nós averiguar tudo de perto.


[Continua...]

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