Palavra da salvação...

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"Para ir para praia é muito complicado, pois é longe do Pantanal, bairro que moro! Não tenho carro, nem moto e bicicleta! Para pegar ônibus é R$ 2,95 e se eu não me engano (alguém me corrige) tem que pegar mais de dois ônibus para ir para a praia mais próxima, correto? E para piorar, sou bolsista e tenho que pagar aluguel, que por sinal vai quase toda a minha grana! Esta pensando o que? Praia é coisa de rico!

E com toda essa situação, o que me sobra, guardar dinheiro para pagar as minhas FIs. E se não caírem, a culpa é de quem? E se eu não tiver dinheiro para pagar, vou ter que abandonar o curso?"



Rafael Celeste para Michereff, quando este o mandou ir para a praia.



Este post é uma parceria com Bruno Carreirão (Direito).

UFSC no Rio - 10ª parte

Acordamos atrasados para o último dia de programação da Bienal. A ressaca deixou todos meio lentos, obviamente, e fomos correndo tomar banho e aproveitar os últimos ônibus para o Aterro do Flamengo. Chegamos lá num calor absurdo e fomos pegar uma camiseta horrível GG e os certificados que, surpreendentemente davam 60 horas de participação. Por mim todo programa de extensão poderia ser assim.

Descobrimos que havia uma deliciosa tenda na praia do Flamengo, com puffs brancos e uma brisa muito boa, se é que vocês me entendem. Nos jogamos por ali, pois o calor estava insuportável, e ficamos tão largados que ninguém falou uma palavra por vários minutos. Foi depois de tanto refletir que Marcelo, o magnífico, pronunciou a célebre frase "a água molha". Quanta sabedoria meu Deus!

Depois de lagartixearmos na praia, resolvemos visitar o Museu da República, que ficava bem próximo. É o antigo Palácio do Catete, onde ficavam os presidentes antes de Brasília existir, e seria interessante ver as velharias. Coloquei uma camiseta na cabeça e fiquei imitando meus ancestrais, enquanto visitamos uma gruta. Estávamos andando pelas calçadas do imenso jardim quando o Diego resolve ter maior contato com a natureza e pisar na grama. "Piiiiiiii!", apitou o guardinha, expulsando o Diego na hora. Nem falo nada...


Caverna do Osama.


Entramos e começamos a observar os objetos históricos, como uma caneta, uma colher de chá e um lenço. Ah vai pra p... Uma placa dizia o investimento no Palácio:

- Aqui diz que foram 3000 contos de reis.
- Nossa! - disse o Gui, espantado.
- É... - respondi.
- Isso é muito dinheiro!
- É?
- Sim, vocês nunca viram novela da Globo? 3000 contos de reis é dinheiro pra caralho!


Sacadinha do Getúlio.


Passeamos por todo o palácio, pelo quarto do Getúlio Vargas, até que o Diego começou a desesperadamente procurar um shopping. Sim, senhoras e senhores, até no museu pensávamos nisso. Dado à proximidade, ele não pensou duas vezes e usou o mesmo banheiro que os nosso excelentíssimos presidentes usavam para assinar suas medidas provisórias. Lá foi ele, num cubículo, e voltou tenso, pois a faixa presidencial não queria ir embora. Lamentável.


Meu novo livro de cabeceira.


Brasil s2 s2 OUAHOUAHOUAHOAU

Decidimos então pegar um metrô para ir mais próximo da Lapa, onde aconteceria o show do Martinho da Vila. Assim que saímos do metrô, na estação Carioca, chegamos em uma praça muito familiar: ávores altas, pombas e chilenos tocando flauta. Sim, por um minuto pensamos que aquilo era a Parça XV! Fui até uma banca de jornal ver as notícias mas, mais uma vez, só se falava em BBB. Foi então que achamos um restaurante que cabia em nossos bolsos.

Depois de dias comendo Cup Noodles, finalmente sentíamos o gosto de comida de verdade. Estava uma delícia, tirando as moscas por toda parte. Ali no restaurante resolvemos montar nosso trajeto do dia usando palitos de dente, e foi aí que sentimos falta do Cintra, pois ele sempre sabe de tudo (ou não). Decidimos então que nosso próximo passeio do dia seria pegar o bondinho da Lapa, que ficava perto. Esperamos vários minutos até que pagamos a fortuna de R$0,60 e entramos. Logo de cara vi que algumas pessoas iam em pé na lateral, o que dava mais emoção na viagem, e era lógico que eu tentaria fazer aqui. Uma família interia foi pendurada, incluindo uma guria que quase esfregava os peitos na minha cara e com o pai dela do lado. A situação foi, no mínimo, inusitada. Passamos pelos arcos da Lapa e fomos até Santa Tereza, onde descemos e conhecemos um pouco do lugar. É um bairro bem antigo e mostra bem como era o Rio de Janeiro há anos atrás. Muito bom, se não fosse encontrar lá o temível Mestre Miyagi, que aterrorizava os sonhos da nossa amiga Rafa. Ele é onipresente, só pode.

Depois voltamos (eu pendurado), e descemos a tempo de conhecer a escadaria da Lapa. Trata-se de uma escadaria toda colorida, feita por um artista estrangeiro que mora ali, com milhares de tipos de azulejo. Nisso um homem nos convida a entrar em um ateliê: era o próprio Selarón, criador da obra de arte da escadaria. Sentados no final dos degraus, avistamos no bar da frente o famoso anão loiro da UFSC. Que mundo pequeno!

Mesmo com o mau humor do Diego, fomos à Catedral da Lapa. Ela é alta e gigante, em forma de cone. Nosso passeio foi tão bonito por lá que não tenho o que contar. Chatice. Como igreja não é o nosso lugar, fomos pro antro do inferno encarar um barzinho para espantar o calor. Mais uma vez o mundo demonstrou seu tamanho quando encontramos lá um pessoas de Itajaí, da UNIVALI. Bebemos algumas juntos e jogamos papo fora enquanto anoitecia no Rio. Resolvemos ir a um banheiro químico antes dos shows, mas todos saíram correndo com ânsia de vômito. Sério, não dava pra suportar.

Compramos cerveja na distribuidora e ficamos batendo um papo na calçada. Começamos a bater um papo descontraído e a avaliar os dias no Rio, quando algo temível aconteceu. Às 21:01 do dia 21/01, no meio do show do Martinho da Vila, nós chegamos a conclusão de que havíamos, finalmente, virado socialistas. Nesse instante nos pegamos conversando sobre as diferenças entre os regimes de governo, as vantagens do comunismo e socialismo, os contras do capitalismo e a análise geral da política brasileira e internacional. Sem contar com nossas barbas gigantes, roupas sujas e suadas e nossa fome ogra. É, eles venceram.

Pra se ter uma ideia eu estava tão assado entre as pernas que coloquei a camiseta da UNE por dentro da cueca para tentar andar melhor; o Marcelo conseguia dar tranças na barba e achamos normal uma menina, já naquela hora, sair vomitando rua afora. No auge de nosso conformismo com a descoberta do socialismo em nossos corações percebemos um movimento muito estranho em um banheiro químico, e lá fomos nós averiguar tudo de perto.


[Continua...]

Um ano!


Répi bãrdei tu iuuuuuu!
Répi bãrdei tu iuuuuuu!
Répi bãrdei agaufisquiiiiii!
Répi bãrdei tu iuuuuuu!

Olha só! Quem diria que esse blog duraria tudo isso?!

Em um ano o HUFSC alcançou boa parte da UFSC e tirou o precioso tempo de estudo de muita gente. Ele nasceu como Why so Serious? com a ideia de mostrar aos calouros o retardado mundo em que eles estavam entrando, mas acabou caindo nas graças de todo o campus (e outros campi afora). Agradou alguns, irritou outros tantos, mas conseguiu registrar as histórias que acontecem nessa Universidade.

Gostaria de agradecer a todos que contribuiram, seja lendo, comentando, criticando, ajudando, xingando, elogiando, cagando e andando...

A todos o meu MUITO OBRIGADO! Amo-lhos!


E pra esse 2º ano de HUFSC teremos diversas novidades. Portanto, continuem lendo essa budega! \o/

Adivinha quem mudou de curso?

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\o/

"Saio da ADM para entra para a His... Direito!"
Se cuida, CAXIF!


Em homenagem a essa conquista, em breve lançaremos a série "Momentos Celestiais", com as mais célebres frases de Celeste na lista do CEB. Aguardem.

Revolta no DCE

Esse pessoal de LUTA anda com os nervos à flor da pele. Mas se engana quem pensa que é algo sobre a taxa de FI ou o aumento da tarifa do ônibus... Vejam só o e-mail que circula a lista do DCE:

"Ao(à) filho(a) de uma puta que:

  • desconsiderou a importância que para as culturas sulinas têm o consumo da ancestral bebida guarani conhecida como chimarrão, mate amargo, ou simplesmente mate;

  • desconsiderou que se trata de uma bebida que causa um certo grau de dependência e que, portanto, a ausência da ingestão do princípio ativo mateína deixa a pessoa extremamente ansiosa e irritada;

  • desconsiderou que mais do que um alimento rico em vitaminas e minerais, o mate alimenta a alma daqueles que tranquilamente sentam em roda para desfrutar seu sabor e a amizade de seus companheiros;

  • desconsiderou que uma cuia de mate não é um simples objeto no qual se misturam a erva e a água quente, mas que carrega a história dos momentos vividos pelo seu dono e pelas pessoas que dele fizeram uso. A cuia tem uma valor eminentemente sentimental, em seu sentido mais profundo.

FAVOR DEVOLVER IMEDIATAMENTE, HOJE, AGORA, NESTE SEGUNDO, MEU MATE E MINHA GARRAFA TÉRMICA, SABENDO QUE NUNCA MAIS DELES FARÁ USO!

Irritadamente,

--
*** censurado ***


Toda essa revolta por causa de uma cuia? Hummmmmm, tem que ver isso ae...

UFSC no Rio - 9ª parte

Eu já havia acordado quando uma escola de samba entrou no alojamento batucando forte para fazer todo mundo levantar. Sim, uma escola de samba. Bom, parecia que os comunas estavam tentando enfiar o samba em nossos cérebros de qualquer jeito, e nesse dia já nem reclamava mais.

Todo mundo começou o dia agitado, e logo fomos nos arrumar para visitar o tão famoso Corcovado. Assim, a galera correu pro banho e, de quebra, presenciou uma cena inusitada. Apesar da pressa de todos, um rapaz altamente significante passava óleos, cremes e vários tipos de shampoo e condicionador em seu banho de sais. Ele tinha o cabelo escorrido, daqueles que faz chapinha com o ferro de passar roupa, adornado com pontas rosa-choque, e talvez seja por isso que cuidava tanto das madeixas. Nisso chegou um negão e ficou do seu lado. Ao perceber a figura, jogou propositalmente seu sabonete no chão e indagou bem alto: "Vixeeeee, meu saboneteu caiu! Quem será quem vai juntar pra mim?". Sacanagem. Não, mas essa não é a cena inusitada. O que nos causou espantou foi ver o Diego fazendo a barba. Barba... pfff!

O sol estava de rachar, mas como queríamos ver o Cristo Redentor tivemos que caminhar por vários quilômetros até chegar ao ponto de ônibus fora da UFRJ, não antes do Diego arrebentar o seu chinelo. Era feriado no Rio, e o busão custou muito a chegar. E andamos por vários e vários bairros, passamos pela Apoteose e finalmente chegamos ao pé do Morro do Corcovado. Como nada naquela cidade aceitava meia-entrada, nem me preocupei em levar comprovante. Mas para quebrar minha cara, no bondinho do Cordovado davam desconto. Foi por isso que fomos em uma Lan House imprimir atestados de matrícula que, por sorte, vendia chinelos. O Diego comprou um enquanto eu aproveitava para ler algumas manchetes em uma banca de jornais, afinal nós estávamos sem saber algo sobre o mundo há vários dias. No fim quase todos falavam sobre o Big Brother, e desanimei.


Turistas.

Como tínhamos que esperar mais de duas horas para o próximo bondinho, demos uma volta por Cosme Velho, o bairro do Cristo. A Tassi estava morrendo de fome e resolveu parar para perguntar o preço em um restaurante. Fiquei do lado de fora e, de repente, reparei numa placa que dizia "Neste local viveu Machado de Assis de 1883 até sua morte em 1908". Quando a Tassi voltou perguntei se ela havia visto aquilo, sem saber que ela cursava Letras por causa dele. Lógico que ela comeria ali na volta, independente do preço. Pegamos o bondinho e subimos aquela morreba toda, até conhecer a estátua. Quando falam que Jesus foi o primeiro socialista talvez haja uma certa verdade, pois até a cabeça da estátua tem uma leve inclinação para a esquerda.

Momentos EMOcionantes.

A visão que se tem de lá é incrível, mas as nuvens estavam tirando uma com a nossa cara e tínhamos que ficar correndo de um lado para o outro quando as nuvens passavam para ver alguma coisa. Tiramos a tradicional foto de turista e descemos. Lógico, dias como esse cansam muito, e a maioria desceu o Morro do Corcovado dormindo.


TODOS DORME

Voltamos ao restaurante, mas como era caro pra burro Diego e eu fomos num mercado ali perto e comemos no ponto de ônibus, afinal é isso que fazem os comunistas modernos, não? Nessa hora, mais uma vez, meu intestino me traiu. Corri para o shopping do restaurante, mas o masculino estava trancando. Eu fiquei um tempo no espelho, fingindo arrumar o cabelo, enquanto me contorcia na porta. Bom, eu tinha aprendido na Bienal que a machistomofobia não leva a nada, e pensei "Por que não usar o banheiro feminino?". Passei a mão na fechadura e ele estava aberto. Olhei para os lados, ninguém. E lá fui eu. Que sensação indescritível!

Depois disso fomos procurar algum lugar para pegar o ônibus para a Lapa. Já no ponto, resolvi me sentar na calçada e pisei num monte de merda. "Porra, gordo e preto só se fodem, né?", indagou o Marcelo. "Pois é...", respondi, limpando o pé. Nisso chega o Diego e adivinhem: pisa no mesmo monte de merda, confirmando a teoria de Marcelo, o Sábio.

Chegamos na Lapa, o antro do inferno. Mendigos, bêbados, travestis fazendo ponto, policiais em cada centímetro cúbico com seus fuzis e viaturas, e muita, mas muita gente feia. Sujeira pra todo canto, ambulantes em tudo que era lugar... Lá nem os banheiros químicos eram discretos: na porta apresentavam um adesivo gigante escrito Faxx.


Passe um Faxx você também.

O show da Elza Soares mal começou e encontramos o pessoal do DCE, todos completamente retardados. Conheci o Viete da Psicologia, vi o Pinguim (Economia) agarrando umas mina, o Nando Reis (Economia) sofrendo com com a viadagem do Fúria (ADM), que abraçava todo mundo fazendo declarações de amor. Nesse momento um cara da Letras dormia sobre as malas, amontoadas no meio da roda. A Bruninha (Serviço Social) não falava coisa com coisa, e a..., bom, melhor deixar quieto. No chão encontrei uma carteira de motorista jogada, logo após a Camila apresentar seu novo amigo paranaense, famoso por oferecer seu sushi nos encontros. O importante é que vimos que a UFSC realmente ensina bem: a galera de Serviço Social literalmente passou o rodo geral.


Portais do Inferno.

Bom, decidi que também queria ficar naquele nível e fui descobrir onde havia bebida mais barata. Foi ai que achamos uma distribuidora de bebidas vendo Itaipava a R$2,00 e aceitava cartão de débito. Finalmente! Daí sim a noite foi ficando boa. Até demais. O show foi acabando e precisamos carregar o Fúria para o ônibus. Era o fim de noite para ele e também para nós. Ainda enfrentamos um ônibus cheio de gaúchos chatos e sobrevivemos. Mas o outro dia seria muito importante, pois descobriríamos que o evento nos havia transformado, imperceptivelmente, em comunistas.


[Continua...]

UFSC no Rio - 8ª parte

Vocês acham que foi tudo maravilha na Cidade do Samba? Errado! Mesmo o espaço sendo gigante, o acesso foi restringido a 2 mil pessoas, o que fez muita gente ficar do lado de fora, inclusive o pessoal do DCE da UFSC que se atrasou vindo de Niterói:

UJmerda? Xiiiiiiiiiii...


Acordamos tarde mais uma vez, mas esse era o dia da faxina. Devido ao calor extremo, já estávamos sem roupa para vestir e nos obrigamos a lavar um pouco. A essa altura o shampoo do Diego já havia sido roubado, fazendo aquela cabeleira toda ficar ainda mais bizarra. Arrumamos a bagunça e vimos o monte de lixo que se formava no carpete que forrava o chão de madeira do ginásio. Universitários são um poço de educação e civilização, não é mesmo?

Cara, que vontade que dá de ir no banheiro no dia seguinte a uma farra... E não dava pra controlar. Fui no banheiro "normal", mas todos estavam em péssimo estado (mesmo). Comecei a suar frio, pensando que iria morrer entupido, quando me veio à mente usar um dos banheiros químicos lá de fora. Roubei muito papel higiênico e fui., ja que na hora parecia uma boa ideia.

Depois de um tempo convivendo entre comunistas você começa a entender melhor a vida selvagem, e se adapta à nova realidade. Comecei a perceber que há dois tipos de banheiro químico: 1) o que tem um mictório do lado esquerdo - onde sempre cagam - e um suporte para latinhas de cerveja mais em cima - que é inclinado e sempre cai em cima de você; 2) o que tem o buraco no meio e dos lados possui duas plataformas retas, ideais para colocar os pés. Fiquei procurando a solução ótima (opção 2) até que achei uma e me tranquei. Havia um detalhe que ficou esquecido no planejamento: o calor. Se já fazia 40 graus lá fora, imaginem dentro de um banheiro químico fechado, tomando sol desde o amanhecer até às 10:30 da manhã, com resíduos acumulados de cinco dias. Olha, não sei como sobrevivi, mas corri direto pra outro banho.

Como já havíamos torrado grana demais, resolvemos ir até a tal Vila Residencial, um vilarejo dentro da UFRJ, para ver se havia algum mercado (com shopping, de preferência). Pegamos um ônibus que levava até lá, que demorou. E quando chamam aquilo de vila não erram não: o lugar parece o interior do interior do Brasil, com mercearias minúsculas e casas grudadas umas nas outras, com igrejinha no centro e uma santa na praça. É, não tinha shopping. Compramos vários Cup Noodles, bolachas e sucos e voltamos para bater aquele rango.


Pronto em 3 minutos O CARALHO!

Depois disso, fugimos da sauna que chamavam de alojamento, colocamos nossos colchões no pátio (onde batia um vento delicioso) e ficamos lagarteando por lá. Claro, ficamos jogando papo pro ar, enquanto o Gui foi comprar picolé. Acontece que a vendedora era chinesa.

- Oi moça, me vê um picolé!
- Lelé?
- Pi-co-lé!
- Ah! Filé! Filé de flango!
- ...
- ... (ela percebe o erro e pega o picolé).
- Quanto é?
- Dozinzinguenta!

No fim o Gui volta para o alojamento com um sacolé de açaí com granola. Ele não gosta muito e me oferece. Eu, burro preguiçoso, como deitado e derrubo um monte de açaí no meu travesseiro. Merda. Foi aí que o Diego, o Gui e umas meninas foram beber em algum lugar. Nisso passa um cara por nós e fica meio que olhando e tal... Suspeito, mas ignoramos e ele foi embora. Lá pelas tantas ele volta e fica parado, rindo, nos olhando. No fim das contas ele decide se expressar pelo uso moderno das palavras:

- Oi - proferiu ele.
- Oi - respondi.
- Vocês são de onde?
- De Santa Catarina, e você?
- Do Pará.
- Legal...
- Então... Tem uma musiquinha que a gente do Pará canta pra vocês de Santa Catarina, mas não vou cantar agora porque tem menina perto...

Nisso a Ivana e a Jaque se afastam um pouco e lá volta o Pará:

- Então, querem ouvir a musiquinha que a gente canta pra vocês?
- Manda lá...
- "Arerêêêêê... Gaúcho dá a bunda e fala tchêêêêê..."
- ...
- =D
- Nós não somos gaúchos, cara. Quem é de Santa Catarina é catarinense, quem é do Rio Grande do Sul é gaúcho e quem é do Paraná é paranaense.
- Ah, pra gente todo mundo do Sul é gaúcho.
- Dá nada... Pra gente todo mundo do Norte é índio...

Ele foi embora, não muito contente (e o pior é que ele tinha muita cara de índio). Depois voltamos ao momento de reflexão: nos disseram que o Arland (Economia) tinha ido pro Espírito Santo após o CONEB. Já a Carina foi embora também logo após o CONEB. Foi como somar 2 + 2 = Será????? Que bafão! Um tempo depois o Diego e o Gui voltaram do bar, bêbados, pois lá surpreendentemente o preço era 3 por 5. Que saudade!

Quinta da Boa Vista, mais uma vez. Pelo menos lá, como era mais sussa, podíamos tomar nossa querida tequilinha. Ia rolar show da Leci Brandão e do Arlindo Cruz, e queríamos curtir ao máximo. Naquele dia, após as reclamações, havia uma estrutura de bar grande que aceitava até cartões de crédito. Porém ao invés de eles usarem todo aquele grama gigante e colocar o bar mais ao fundo, resolveram montá-lo ao lado do palco, matando uma vista enorme do barranco da esquerda e criando um tumulto sem fim, pois a fila se formava no meio da plateia. Mesmo assim ficamos por ali, e começamos a maratona de tequila, que logo acabou e foi substituída por cerveja.


Bares bem localizados.

Aos poucos aquilo foi batendo, até eu ver o Sartoti (Direito) sambando e tudo o mais. Logo após encontramos a galera do DCE, que mais uma vez nos perguntou sobre o nosso alojamento. Novamente dissemos que era bem melhor que o de Niterói e eles ficaram meio incrédulos. Mesmo assim continuamos a festa, que depois de um tempo passou por algumas nuvens brancas, coloridas e multifacetadas, e quando vi estava na frente do palco vendo amarradão o Arlindo Cruz cantar. Tenso.

Voltei a tempo de acompanhar algumas conversas sem nexo do nosso pessoal, mas devia ser o sono. E assim decidimos que era hora de partir, pois no dia seguinte andaríamos muito e o show seria na Lapa, portal do inferno.


[Continua...]

Cadê o Grammy Latino?

Se liga na performance da Milene (Letras):

Eu quero mudar o muuUuUuUundo... VIXE!


Então, merece ou não merece um prêmio de revelação do ano?

Dêem o seu voto na página do vídeo, clicando em:


UFSC no Rio - 7ª parte

Nunca tomei um banho tão rápido na minha vida, e aposto que com todo mundo foi assim. Pegamos a primeira roupa que havia pela frente, a tequila, sal e limão e corremos pro ponto de ônibus. Ele estava quase saindo, mas conseguimos. A preocupação agora era outra: será que poderíamos entrar na Cidade do Samba com a tequila? A Ivana colocou-a em sua bolsa e fingimos que não era nada com a gente. Uma outra menina desconhecida pediu pra colocar na bolsa uma bebida não identificada pela ciência, e topamos na camaradagem.

Chegando próximo ao portão, fudeu! Eles estavam revistando tudo. Tentamos voltar, mas um guarda nos disse que se saíssemos havia a chance de não conseguirmos entrar, pois o número de pessoas no local era limitado. Valeu ae, UNE!

- Mas...
- Olha, se eu fosse vocês não sairia não - alertou o guarda.
- Mas nós não podemos entrar - disse a Ivana.
- Ué, por que?
- Porque tô com algumas bebidas aqui...
- Por favor, me acompanhe.

VIXE! Nos levaram para uma salinha com mais alguns guardas e pediram para esperar. "Lá se foi nossa tequila", se queixou Tassi. Depois de alguns minutos um deles voltou e disse que guardaria as garrafas pra gente e poderíamos pegar no fim do show. Ficamos meio incrédulos, mas não havia o que fazer. Ser pobre é foda, né?

A Cidade do Samba é um lugar enorme, com os barracões das Escolas de Samba do Rio. Aproveitamos para dar uma espiada nos carros da Grande Rio, que homenagearia Florianópolis nesse carnaval, enquanto algumas turistas tiravam fotos.


Não vou fazer a piada da Mangueira entrando no recuo. Sério.

Graças a Deus havia várias cadeiras, pois estávamos podres do dia cansativo. Feito velhas jogando bingo, esperamos aquela falação natural de aberturas de eventos, e não foi diferente na Bienal. Logo o povo se levantou e subiu nas cadeiras pra ver Beth Carvalho entrando no palco, de cadeira de rodas. Duas músicas foram o suficiente pra mandar o cansaço pra fruta que caiu e fazer a galera dançar. As panteras Camila, Rafa e Carol, que não andaram com a gente durante o dia, estavam mais loucas que o Claico chapado de cogumelo do sol. Não paravam de rir de qualquer coisa que acontecesse. Qualquer coisa! Enfim, minha religião não permite usar esses negócio ae...


Tassi feliz.

Aqui vai um adendo importante: nós achávamos que o Paraná era o estado mais chato. Achávamos, pois o Ceará superou tudo o que é sem-noçãozisse possível. Quando a Beth Carvalho terminava uma música, o pessoal começava "Uhhh Ciará! Uh Ciará! Uh Ciará, uh Ciará, uh Ciará!". Quando o apresentador falava algo, lá vinham eles de novo. Quando o Diego peidava, mal fedia e eles começavam o berreiro. Sério, desagradável foi pouco.

Vocês sabem que a Aids anda por aí, né galera? Na Bienal mesmo, se você respira fundo tem risco de pegar. Então se liga na dica: depois da Beth (íntimos), fui comprar uma Devassa com o Gui. Lá no bar havia três moleques da comunidade (sim, não havia só o pessoal da Bienal). Um deles foi esperto e pendurou uma camisinha no brinco. Prático, não? Quem sabe vira até moda!

- Cara, o que eles tão berrando? - um deles perguntou.
- Uhh Paraná... - respondi.
- Ah, Paraná! Achei que fosse guaraná...
- Antes fosse.
- Vocês são de lá?
- Não, não... Somos de Santa Catarina.
- Hum... Então, aqui há uma lenda de que as mina de lá são as mais gata. Confere?
- Não é lenda, não!
- Fechô, então, brother! Bora descer pro Sul apavorá geraaaaaaaaal! - disse ele, enquanto o outro menino alisava a sua camisinha de orelha.

Enquanto a gente conversava o e Gui pegava o número do telefone deles (mentira) (?) a Mocidade Independente entrava no palco. Primeiro a bateria e em seguida as belas passistas. Depois disso ninguém mais ficou no lugar. Era quem mais podia subir nas cadeiras pra poder ver tudo. O gordo aqui subiu, se empolgou e quebrou uma delas. Gordo só se fode!


Explode coração na maior felicidade...

Mas o que mais queríamos estava prestes a começar: o show do Marcelo D2 cantando Bezerra da Silva. Eu sempre desconfiei que o Bezerra fumava um cigarrinho do capeta depois daquela música "Vou apertar mas não vou acender agora...", e estava para descobrir que ele era um maconheiro desgraçado. Fomos para mais perto do palco e o show começou com D2 acompanhado do Leandro Sapucahy, pois sua voz não estava das melhores devido a uma rouquidão. Obviamente, muita gente entrou no clima das músicas e legalizou geral. Lá pela quarta ou quinta canção o show começou a fazer mais sentido pra muita gente da UFSC, e acho que deve ter sido aquela fumaceira toda. Tá amarrado 3x!


Quem joga a fumaça pro alto?

Aos poucos coisas bizarras começaram a aparecer. Um vovô barbudo de amarelo, que apelidamos de Fofão, deu uma demonstração de samba de gringo no meio da raça. Já um sambista de vermelho, "profissional", exibia sua elegância de girafa manca pra mim e pra Tassi. Contudo o destaque da noite foi a bixinha de camisa branca, que rebolava mais que a Valéria Valença sambando em cima de uma cama elástica.

Nessa hora a sacola de limão, que ficou com a gente, já tinha virado limonada, e era chutada de um lado pra outro. Estava tão insuportavelmente quente que era impossível se importar com isso, ou será outra coisa? No telões apareciam várias imagens de sambistas colocando um canudo do Bob na roda e eu fiquei surpreso, mas ao mesmo tempo tudo começou a fazer mais sentido.

Lá pelas tantas um cara invadiu o palco, e logo foi retirado pelos seguranças. Mas vocês acham que ele desistiu? Que nada! Ele tentou várias vezes, até numa delas acertar o nariz do D2, que foi para o backstage e o Leandro ficou por ali enquanto ele buscava uma toalha. Nessa hora várias meninas invadiram o palco, e é claro que elas ficaram por lá com os cantores, sensualizando (incluindo a Cariúcha).

Chega de samba! Agora é hora de funk! MC Sabrina entrou no palco e deixou todo mundo de cara. Os homens babavam nela. As meninas babavam de inveja. As bibas babavam nas coreografias. Na real, ela é uma mistura de Michael Jackson + Beyoncé + Mulher (insira alguma fruta aqui).



Que SEXY a gordinha de óculos!

Já estávamos lá pelas tabelas, assistimos um pouco do MC Sapão, que veio na sequência, mas decidimos ir embora. Fomos pegar a tequila, que depois de muita apreensão foi devolvida, e subimos no ônibus. O Gui literalmente desmaiou, caindo pra cima de mim e do banco da frente. Na verdade todos estavam assim, mas o outro dia ainda reservava mais histórias (desagradáveis).


[Continua...]


Enquanto isso, na reunião do DCE...



ARIRAIRIAIRAIRAIRIARIAIRAIR

UFSC no Rio - 6ª parte

No outro dia nada de acordar cedo. O CONEB havia acabado e agora era só Bienal, cuja abertura seria só à noite. E como havíamos virado a noite anterior, o negócio foi aproveitar e dormir bastante. Mas quem disse que aquele calor infernal deixava?

Levantamos e decidimos: vamos conhecer o Pão de Açúcar. Hum... Como? De busão, lógico. Pegamos um ônibus socado de gente (socado mesmo), demoramos um bocado mas chegamos em Botafogo. Lá, resolvemos ir a um shopping de verdade almoçar. Depois de comidos (?) descemos, e a Ivana e a Jaque foram imprimir seus atestados de matrícula para ir ao Pão de Açucar com desconto. Ha ha ha!

O Gui havia dito que rolava desconto para estudantes, e que o preço seria sussa. Pegamos um táxi e fomos até o pé do morro da Urca, entramos no local para pegar o bondinho e, para cair a nossa face no chão, o preço era R$44,00 sem desconto para estudante. Fudeu! Mas já que estávamos lá, né, vamos acabar com o orçamento e subir. Pelo menos a viagem valeu a pena.


Galera curtindo um solzinho escaldante...

Assim que chegamos no alto do morro da Urca, o nariz do Diego começou a sangrar, manchando toda a sua camiseta branca. Cadê a resistência física dos africanos? Mesmo assim conseguimos tirar um tempo para as fotos. Andamos pelo museu e depois fomos até a trilha, onde encontramos vários saguis bem simpáticos.


Busquem conhecimento...

Por causa do calor, paramos um pouco para sentar e pegamos o outro bondinho, fazendo a Tassi quase se borrar de medo. A gente pensou em protestar pelo preço da tarifa, mas quando começamos a pular tudo começou a balançar demais e decidimos, pelo bem das nossas vidas, parar. Mesmo assim foi o suficiente para perceber que o espírito comunista aos poucos entrava em nossos corações.


Le-van-ta o cuuuu... Levanta o cuuuu...

Aproveitamos para usar o shopping do Pão de Açúcar, que era lindo. Tinha sabonete líquido espumante e vasos bem confortáveis. Quando voltamos dos morros de rico ficamos num dilema: já era tarde pra canário e tínhamos o imperdível show do Marcelo D2 na Cidade do Samba. Um taxista tentou nos convencer a nos levar ao Fundão, mas arriscamos e pegamos um táxi só até o Leme, para conhecer a praia e andar por Copacabana. Lá vimos que a hospitalidade carioca somada à aparência de mendigos nos rendeu bons descontos.


Copacabana.

Queríamos espantar o calor com uma cervejinha e fugir do temporal que ameaçava a Terra. Fomos a alguns bares mas os preços eram absurdos, e nenhuma vendia cerveja em garrafas grandes. Foi quando um simpático garçom nos deus a dica. "Saquei que vocês querem uma cerveja mais barata, né... Olha só, sem preconceito, mas aqui vocês não vão conseguir pagar. Mas peguem essa rua, virem à esquerda ali na esquina e vai ter um boteco mais em conta. Mas olha, nada de preconceito, hein rapaziada!". Seguimos as instruções e achamos o tal barzinho, que não tinha cerveja gelada (como a conhecemos), mas foi legal para matar nossa vontade.


Boemiaaaaaa... Aqui me tens de regressoooo...

Fomos a um mercado garantir a noite, comprando sal, limão e tequila, e depois corremos para o ponto de ônibus mais próximo. Achamos que seria fácil, mas não aparecia nenhum! Tinha um cara vomitando na fila de tão bêbado e descobrimos que ele pegaria o mesmo busão que a gente. Depois de algum bom tempo, aparece a nossa linha, mas o ônibus estava lotado e não parou! Pronto, nossa esperança de ver o D2 estava ruindo. O Gui já procurava um taxi Doblô quando, após quase 50 minutos, finalmente mais um ônibus chegou. Ele estava socado, mas insitimos com o motorista que tinha como entrarmos, e vencemos. Viva a LUTA!

Expremidos, pensávamos somente em chegar logo no alojamento, tomar um banho e ver o D2, se desse tempo. Quando achamos que a paz prevaleceria, escutamos um grupo começar um inacreditável "Uh Paraná! Uh Paraná!". Eu não sou de falar palavrão mas tive que falar palavrão: Poxa! Fora isso havia capixabas e baianos, todos indo para o alojamento, a maioria muito chapada. Até um cara que estava perto de mim, carioca, já estava cantando as musiquinhas de LUTA da galera. Sabe, àquela altura do campeonato já não me importava tanto quando todos cantavam músicas como "50% do pré-sal para a educação" ou "um beck gigante na boca do estudante". Sentia um frio na espinha em pensar nisso, mas comecei a crer na possibilidade de achar que os comunistas tinham até um pouquinho de razão.

Ao chegarmos, corremos para o ginásio, onde alguém anunciava que havia apenas uma hora para que o último ônibus pra Cidade do Samba saísse. Ficamos na dúvida se aquele mundo de gente conseguiria fazer isso em tão pouco tempo e a chance de ver o D2 foi ficando cada vez mais distante.


[Continua...]

Comunidades da UFSC


Po po po po po po po...


Quem nunca quis ter uma tobata para ir da primeira aula do dia no CSE à segunda aula no CTC em poucos minutos? Porque a pé todo dia é foda.

Pariticipem da comunidade clicando aqui.

A verdade sobre as siglas

A UFSC é cheia de siglas, não é? Às vezes nos confundimos com tantas que aparecem que precisamos de alguns semestres para decorar. Uma que nunca consegui enteder é a do CAGR (Sistema de Controle Acadêmico da Graduação). WTF? Mas algumas siglas mascaram verdades.

O registro abaixo, encontrado em um Centro Acadêmico, mostra o verdadeiro significado de algumas das siglas da UFSC:




Legenda:

Coalisão
Armada
Contra a
Ineficiência dos
Cones

Colegas
Alegres,
Roscas
Incendiadas

Direita,
Centro ou
Esquerda?

Com
A
Limpeza
Iremos
Servir
Sempre

Convencendo
Amigos
Arrecadamos
Dinheiro

Pagamos a
Realização de
Atividades
Estúpidas

Comitê de
Advogados
Xexelentos
Inventado
Falcatruas

Comunidade do
Sexo e
Embriaguês

Comunistas
Amadores
Lutando
Escondidos


Agora tudo faz sentido!

UFSC no Rio - 5ª parte

Primeiro conhecemos a Marizinha, uma guria muito gente boa de São João del Rei, Minas Gerais. Conversamos um monte de tolices enquanto ela esperava dar a hora de pegar o ônibus para o alojamento da Letras. Nisso deu tempo de ver um cara extremamente bêbado do Paraná ajoelhado, implorando o beijo de uma gordinha. "Eu amo gordinhas...", dizia ele, quase aos prantos.

Lá no galpão o sexo rolava solto, ao vivo e a cores, pra quem quisesse ver. Dois caras se acariciavam com a boca enquanto uma menina, talvez cansada do CONEB, sentava no colo de um rapaz. Nós conversávamos com a Marizinha quando apareceu o Albino, um cara de Santa Catarina que simplesmente não sabia onde estava. Ele era de Itajaí, desceu em um alojamento mas depois do show foi parar no Fundão. Demorou para ele perceber que aquele não era o seu lugar e ficamos tentando descobrir, porém ele não sabia mencionar nada do local em que dormiu na noite anterior. Tem drogas de que definitivamente eu quero distância.

Decidimos ir ao ponto de ônibus, mas no caminho a Marizinha encontrou uns amigos mineiros e nós provamos a deliciosa cachaça de lá. Sem comparação com a Misteriosa do Encantado... Cachaça mineira é boa demais! Esperando o busão estavam também outras duas meninas, e como o álcool já estava na cabeça, puxei papo. Elas eram de Londrina e também iriam pro alojamento de Letras. Uma delas, Gabriela Rondado, era a mais simpática. Para a minha surpresa, ela disse que já fez parte de uma parada em Santa Catarina que a memória não me ajuda a lembrar e (pasmem!) é amiga do Fred da lista do CEB! Sim, lá no Rio de Janeiro eu encontrei uma paranaense que é amiga do Fred! Vi que aquilo era demais pra mim e decidi conversar mais um pouco com a Marizinha, que recebeu um caloroso Tchu Tchu da galera. O ônibus chegou e ficamos mais um tempinho bebendo. Já era hora de parar, pois o Marcelo estava soltando piadas do tipo "Sabe por que a mata é virgem? Porque o vento é fresco". Não dá, né?!

Seis horas da manhã! Hora de acordar a raça. No corredor dormia tranquilamente o Cotoco, o Che Guevara fotógrafo, sem colchonete ou travesseiro. Esse deve estar no nível 7 dos comunistas. Bêbados, eu e o Diego abrimos as barracas e não parávamos de gargalhar enquanto todo mundo se levantava. O pessoal do Paraná começou com o infernal "Uh Paraná! Uh Paraná! Uh Paraná, Uh Paraná, Uh Paraná!" e vários outros estados começaram a berrar também, até sair um "O povo unido é gente pra caralho!". A Tassi voltou do banheiro indignada, pois não conseguiu tomar banho. Ele estava interditado pois uma menina havia recebido um espírito lá dentro. Esse tipo de espírito eu conheço muito bem...

Todos foram meio bêbados no ônibus até o Maracanazinho. Obviamente o sono começou a bater, mas logo teríamos uma chance de descansar. Assim que chegamos não havia informações se o café da manhã seria dado lá, e então fomos a uma lanchonete. Começou uma discussão básica com a Carina sobre a organização da UNE, mas nada que prejudicasse nosso dia. Quem bebe sabe que no dia seguinte dá aquela vontade de ir ao shopping, e foi com isso em mente que eu e o Gui fomos procurar algum no Maracanazinho. Logo apareceu a oportunidade em um banheiro para deficientes, mas a porta não fechava. Pedi para o Gui vigiar o local e me desmanchei sem pressa. Quando estava lá, de olhos fechados e de cabeça erguida, completamente concentrado, a porta se abre: era a faxineira. Puta merda, Gui!


Onde está Che?

Depois do vexame fomos para a arquibancada. Ar condicionado, sono batendo, falação chata pra caralho. Sabe do que mais? Vou dormir. Me deitei no chão mesmo e tirei um ronco. Logo após me acordaram dizendo que iriam a um shopping de verdade, e resolvi ir junto. Decisão errada. O sol estava escaldante e o local era longe. Nós andamos feito zumbis pelas lojas e quase dormimos sentados a uma mesa. Foi aí que resolvemos voltar à plenária e descobrimos que o almoço (das 4 da tarde) seria servido na UERJ, ali perto.


UERJ.

Pelo menos valeu a pena - um delicioso strogonoff de frango foi servido. Bateu aquela maldita vontade, de novo, de ir ao shopping. Enquanto isso a galera conhecia o Genivaldo, um ex-policial que agora é guarda da UERJ, contando histórias mirabolantes sobre os tiroteios do Rio e sua experiência com armas.

E agora? Onde vamos pegar o busão? Mais uma vez estávamos perdidos. Por sorte achamos um que iria para lá e seguimos para o alojamento, que estava absurdamente abafado. Fomos ao Baile do Simonal na Quinta da Boa Vista e gastamos mais um pouco do nosso precioso dinheiro com os ambulantes.


O profº Esperidião Amim marcou presença.

Na volta o ônibus foi à loucura com a Cariúcha, uma menina que não parava de causar, e os pernambucanos fazendo a melhor musiquinha de excursão que já vi até hoje:

O Pernambuco vem aí e com ele ninguém pode,
Segura o cu senão você se fode!

Segura o cuuuuuu,
Segura o cuuuu,
Segura o cu, segura o cu, segura o cu!

Abaixa o cuuuuuu,
Abaixa o cuuuu,
Abaixa o cu, abaixa o cu, abaixa o cu!

Levanta o cuuuuuu,
Levanta o cuuuu,
Levanta o cu, levanta o cu, levanta o cu!

Um clássico que ouviríamos várias vezes. E fomos dormir, podres, sem saber o que o dia seguinte nos reservava.


[Continua...]

Divulgada nova logo da UFSC

A partir de 2011 a Universidade Federal de Santa Catarina terá uma nova logo oficial. "Ela presta uma homenagem à verdadeira essência da erudição em nossa instituição", diz Cléia, presidente da comissão UFSC 50 anos. "É fácil de ser representada e é isso que queremos: que nosso acadêmico se lembre sempre da Universidade".




Agora sim, algo que faz jus à realidade.

UFSC no Rio - 4ª parte

Ali, guardando lugar na fila do "RU", ouvi o Marcelo contando para a Tassi sobre uma aventura que havia acabado de viver. Procurando um banheiro, ele caminhou por vários e vários corredores intermináveis (mesmo) em busca de um que tivesse papel. Após várias tentativas frustradas, já com "sangue no zóio", pensou em cometer uma grande besteira quando viu duas confortáveis caixas de papelão no meio de um corredor deserto. Desistiu, mas em um ato de desespero arrancou os avisos de um mural de estágio e correu para o primeiro vaso que viu pela frente. Contudo, logo adiante ele avistou, escondido atrás de várias portas e escadas, o lendário banheiro cujo papel possuía a textura de pétalas de rosa. Não desperdiçando a oportunidade, decidiu sentir a textura no lugar certo e, encantado, guardou aquele caminho para voltar assim que necessário fosse.

Nós não conseguíamos acreditar em tal lenda, mas decidimos tentar peregrinar pelos assombrosos corredores do CT em busca do Um Papel. Almoçamos muito bem (aliás, a comida estava de parabéns) e logo ao fim formamos a Sociedade do Papel: um hobbit (eu), um anão (Gui), um orc (Diego), um mago (Marcelo) e uma elfa (Tassi). Subimos até o primeiro andar novamente, pegamos o Corredor Sem Fim e andamos alguns quilômetros. No bloco H, entramos na porta à direita, descemos uma escadaria, pegamos alguns corredores compridos, subimos mais um lance de escadas, entramos por uma porta aparentemente fechada, depois estávamos em uma dispensa, logo após num armário de limpeza. Marcelo nos apontou o curioso banheiro onde a janela ficava do lado do vaso mas era tão baixa que, quando a pessoa sentava, fica exposta da cintura pra cima completamente. Intimidade pra que, né?!


Um dos inumeráveis corredores que cruzamos.

Continuamos a peregrinação por mais alguns caminhos obscuros. Nos perguntávamos como o Marcelo havia andado tanto e achado aquilo na situação em que se encontrava. Após 25 minutos lá estava ele: o lendário Banheiro Branco com o incrível papel macio como algodão virgem. A Sociedade do Anel aproveitou para fazer As Duas Torres após o almoço e nem teve pressa, para evitar que O Retorno do Rei ao trono fosse mais cedo que o desejado.

Aliviados, encontramos um panfleto da Contraponto no chão: esse sim, dentre os panfletos, era o melhor! Já o da UNE era uma merda. Muito liso, só lambuzava. No hall de entrada estavam vendendo camisetas a favor do Che, contra a Globo, naturalmente. Uma babylook dizia "As meninas boas vão para o céu. As más vão à LUTA!". VIXE!

A cromoterapia diz que o vermelho deve ser usado em doses moderadas, por ser uma cor muito cansativa. Deve ser por isso que logo saímos daquele ambiente e fomos descansar um pouco no alojamento. Não adiantava muito, mas pelo menos havia algum lugar pra deitar. Descansados, voltamos para um ponto de ônibus com destino ao jantar, mas antes conhecemos um cão furioso com seu próprio rabo: o Giracão. Ele ameaçou atacar uma sergipana que, no futuro, revelou ser um affair do Gui. É... O Rio encurtou distâncias...


Nosso alojamento - ALOKA

Nós estávamos loucos atrás de informações para saber de onde sairia o ônibus para o show na Quinta da Boa Vista. Procuramos por todos os cantos e nada de achar alguém da UNE para dar informações. Por isso chegamos à conclusão de que UNE significa "União Não Existente", pois até então não havia aparecido ninguém. No fim nos viramos e descobrimos que o ônibus sairia do alojamento.

Chegando na Quinta demos de cara com um lugar bem diferente. Havia um palacete de Dom João VI, uma cápsula do tempo, um lago, um gramado gigante e... ah, meu Deus, os comunistas de novo... Saco. A estrutura era muito boa, com um palco enorme e telões de led. Pena que a UNE esqueceu de um detalhe, bobo talvez... Não sei, pode ser coisa minha, mas CADÊ A PORRA DA CERVEJA??? Havia 1 (uma) (one) (una) barraca de ambulante vendendo Antarctica quente (sim, QUENTE) a inacreditáveis R$4,00! Isso foi o suficiente para fazer a galera broxar, mesmo com um show bom. Eis que surge ao nosso lado o incrível, exuberante, fantástico, proparoxítono Mestre Miag (que posteriormente seria apelidado de Hare Krishna) com sua performance exótica sensualizando a Rafa. Ela ficou com tanto medo que correu pra trás do povo.


Antarctica deliciosa.

O Diego salvou a minha noite achando um vendedor da Misteriosa do Encantado, uma cachaça milagrosa da Paraíba. A única cachaça que "purifica, tonifica, lubrifica, dá o lustre, revigora, faz crescer e ficar bonito, além de ser feita de tri-fosfato de pó embelezador, partindo do principio de que ninguém é feio, você foi quem bebeu pouco". Nessa hora presenciamos o maior manifesto estudantil da viagem: todos os estudantes berrando em uma só voz "Cadê a cerveja?". Lindo! Acabado o show, voltamos para o alojamento pensando em dormir, frustrados. Mas a vida é uma caixinha de surpresas...

Havia muitos ambulantes (mais baratos) e festa, como na noite anterior. Muitas pessoas ficaram por lá, incluindo a gente. Como tínhamos sido avisados que teríamos que acordar às 6:30 da manhã para ir ao Maracanazinho, decidimos virar a noite. Meu estômago resolveu avacalhar, pra variar, mas os banheiros estavam todos ocupados, restando só os químicos. Foi aí que o Marcelo me ajudou revelanda a milenar técnica do Faroeste: em posição de saque, a camiseta numa mão, o papel na outra e mirando sem encostar. Tentei e deu certo!

A madrugada foi passando e fomos conhecendo várias pessoas de todo o Brasil, mas até lá, em meio a um mundo de desconhecidos, a lista do CEB da UFSC pode nos assombrar...


[Continua...]

Hey! Eu te conheço de algum lugar...





Dica do Jaiminho (Economia).