UFSC no Rio - 3ª parte

Depois de tomada a decisão de largar Niterói e ir para a Ilha do Fundão, voltamos para o alojamento a fim de arrumar nossas trouxas. Mas mesmo com a ideia em mente, ainda não estava muito claro como doze pessoas e suas malas, bolsas, colchões, travesseiros, barracas e afins iriam para lá. As meninas Ivana, Jaque, Carol e Rafa (Eng. Ambiental) decidiram ir conosco também. Quando chegamos tinha gente que permanecia no ginásio fumando um e fazendo churrasco numa grelha de tétano. Pelo jeito não era só a gente que estava sem vontade da atividade paralela.


Nosso futuro vizinho: o Complexo do Alemão.

Foi aí que começou uma das sagas da viagem: A Saga do Busão. Como eram muitas coisas pra carregar, chamamos um táxi - aliás, lá eles são incrivelmente baratos - e socamos tudo o que pudemos dentro dele, enquanto peregrinamos com o restante até o ponto de ônibus que não chegava nunca. Vocês talvez não possam ter noção da bagagem, mas posso afirmar que parecia uma mudança completa. Já no ponto de ônibus, empilhamos tudo e percebemos que o motorista teria que ser muito paciente até embarcarmos tudo.

Assim que ele chegou começamos o trabalho em equipe. Ainda bem que havia um lugar para portadores de necessidades especias: a maior parte da bagagem foi pralí. O restante ficou espalhado pelo ônibus, e as pessoas nos olhavam com cara de espanto. Lógico, a Camila aproveitou para sensualizar se jogando em cima das malas e deslizando seu corpo vagarosamente, para a alegria dos passageiros. Nisso chegou mais uma família com mais uma porção de malas gigantes e caixas. É, a viagem foi bem longa.

Quase chegando no fim do mundo, ou melhor, na Ilha do Fundão, começou a chover. E para ajudar, nem sabíamos onde seria o alojamento naquela Universidade enorme. Corremos para um ponto de ônibus e esperamos a Carina ligar pro seu irmão, que é da UNE. Depois de meia hora eles se entenderam e descobrimos que, por sorte, estávamos bem perto. Mas antes de irmos começou outra discussão: ficamos sabendo que havia outro alojamento, na Unirio, bem localizada e próxima ao centro do Rio, e nós ficamos na dúvida de ir pra lá ou não. No fim fomos para próximo do Centro de Educação Física, onde seria o principal alojamento no Fundão, e resolvemos conhecê-lo para então decidir. No fim nos informaram de que na Unirio possivelmente já não haveria mais vagas e sossegamos no faixo no Fundão. Ui!

O alojamento era bem melhor que o da UFF. Havia um ginásio gigante e por volta dele tendas onde já estavam várias barracas, e o melhor(?): havia gente do Brasil todo. Arrumamos tudo e corremos para pegar outro ônibus, dessa vez para o CT (Centro Tecnológico), onde estava ocorrendo o credenciamento. Lá, o primeiro choque: comunistas e socialistas, aos montes, fazendo muito barulho e bagunça, trocando odores e gritos de guerra, espalhados por todos os cantos. Eu imaginei cena parecida somente quando sonhei que o mundo era invadido pelos zumbis do Resident Evil. Enfrentamos aquilo tudo olhando para os lados como garotinhos assustados e subimos. Eu e o Diego procuramos um shopping enquanto os outros ficaram na fila, sentados no chão, esperando sua vez. No fim não achamos um shopping e a Carina se ofereceu para fazer os credenciamentos para nós. Aliviados, corremos daquele lugar e fomos para o alojamento, tomar banho e descansar, para voltar para o jantar.


Marcelo e Tassi eram só alegria.

Quando pensamos que já vimos de tudo aparecem mais surpresas. Um cearense moicano e orelha de abano, um(a) menino(a) de cabelos de pontas rosa-choque e o Che Guevara fotógrafo, fora outras figuras inusitadas. Nesse meio tempo conhecio o André Vitral (diretor da UNE), que é a cara da sua irmã, Carina, e conversamos um pouco sobre a CoLUTA Social. Foi rápido e fácil perceber que ele não sabe imitar o Cacau Menezes.

Quando fomos tomar banho notamos que o banheiro, apesar de maior, era mais limpo que o de Niterói. Aliás, por acaso o chuveiro da extrema-esquerda era o único quente, e me perguntei se isso tinha algo de político. Porém no calor do Rio era impossível tomar banho quente e corri pro gelado assim que vagou.

Todos limpos e descansados, resolvemos pegar um ônibus para ir jantar, mas descobrimos que não havia mais e ficamos na mão. Como estava rolando uma festa no pavilhão em frente ao alojamento, esquecemos disso e fomos até lá. No começo da noite um P2 deu um showzinho à parte, saindo do carro patinando e empunhando uma arma de fogo, mostrando que drogas não eram bem-vindas alí. Aham, Cláudia, senta lá.

O repertório estava excelente, com músicas antiquíssimas do É o Tchan e afins. A Tassi mostrou que a dança não sofre influência do tempo e exibiu todas as coreografias possíveis. Entramos no clima e logo a galera estava dançando funk até o chão. Mesmo com cerveja quente e cara, dançamos e tudo começou a girar e ficar meio esquisito quando formamos uma roda com uns caras de Curitiba. Não muito depois me vi numa roda de samba e dançando vanerão com a Tassi. Já o Marcelo exibiu seu gingado dançando forró com a Carina, logo antes de todos dançarmos freneticamente a coreografia de YMCA. O Gui demonstrou sua plena sabedoria ao dizer que "o bebedouro é a fonte da água", o que não seria a única palavra divina dita pelo grupo na viagem. Cansados, muitos voltaram para o alojamento para dormir, menos o Diego e a Tassi, que pegaram um espetinho cada um e sentaram-se no meio-fio, feito pedreiros, para saborear a iguaria.

"Plenária de Santa Catarina! Plenária de Santa Catarina!", gritou a Carina para todas as barracas. Levantei berrando que nunca tinha batido em mulher, mas estava doido para abrir uma exceção. Quando vi que a UJS estava apenas revisando a programação do CONEB, mandei todos tomarem no c* e fui tomar banho. Diego, Gui e eu pegamos um ônibus para ir para a primeira mesa de debate, mas em seguida vimos o que pegamos o ônibus errado. Ele estava cheio de cearenses cantando "Viva, viva, viva a juventude socialista e comunista" e parou no Centro de Letras (o outro alojamento). Morrendo de calor antes mesmo das nove da manhã, voltamos a pé para a Educação Física e pegamos o ônibus certo.

Chegamos no CT e tomamos nosso delicioso café da manhã: um pão, uma banana e um suco "morte-súbita-para-diabéticos". Depois encontramos o restante do pessoal, sentados em algumas mesas e começamos a papear. Em nossa volta havia centenas de estudantes esperando o início do CONEB. Maldita a hora que decidi levantar e chamar todos para a programação: escorreguei numa poça de lama e fui caindo aos poucos, como se estivesse dançando break. No começo só a galera da UFSC riu, mas depois todo mundo caiu na gargalhada. Lamentável.


Galerinha descolada de LUTA no CT.

Antes de tudo o Diego decidiu ir ao shopping, mas não havia papel por lá. Contudo estávamos virando experts no assunto, e ele percebeu que o papel de manifesto da oposição da UNE era ótimo para limpar as suas necessidades. Catou um da moça que estava distribuindo, reforçou com mais um que achou no caminho e fez o trabalho.

Depois fomos para o auditório e, para a nossa surpresa, a Carina estava presidindo a mesa. Uau! Ela não estava muito habituada com o microfone, pois berrava feito um vendedor de pamonha. Era tão interessante ver aquilo que pegamos no sono. Decidimos ir logo para o almoço, mas ao chegarmos na fila descobrimos que a Carina não havia nos entregue os tickets do almoço após o credenciamento. Foi enquanto o Diego buscava os vales para a gente que o Marcelo deu início a nova saga e a maior de todas, aquela que seria chamada posteriormente de A Sociedade do Papel.


[Continua...]

3 comentários:

  1. Ta mto winner essa história mano, queria tá lá hahaha

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  2. Eu não preciso nem fechar os olhos pra visualizar as cenas que tem "Tassi" no meio.

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  3. "Era tão interessante ver aquilo que pegamos no sono." basicamente define a programação de todo e qualquer encontro de estudantes que eu já fui.

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