UFSC no Rio - 2ª parte

Apesar de uma viagem exaustivamente longa, durando mais de 21 horas (onde o previsto eram 17), ainda tínhamos pique para festar. Mas se não fosse uma das paradas não conheceria o pessoal super gente boa de Curitibanos. Ah, isso me faz lembrar uma coisa: os motoristas simplesmente se esqueceram de um cara que embarcaria em Curitiba, o que descobrimos mais tarde.


Eu conheço essa camiseta verde de algum lugar...

A bebedeira começou forte, com mais uma sessão do Jogo do HUFSC regado a Jurupinga. Podemos constatar que dez pessoas jogando aquilo não dá muito certo, principalmente se alguém cai na casa da PRAE (onde ninguém pode dizer a palavra "não"). O pior eram as pessoas de fora, como o William perguntando "Alguém quer biscoito de polvilho?" e os inocentes jogadores respondendo num uníssono "Não!". Foi foda. A Camila, coitada (?), caiu em tantas casas de tirar a roupa que teve de colocar um biquíni pra não ficar pelada. A Jurupinga acabou e tivemos que continuar com cerveja. Obviamente, todos ficaram retardados o suficiente para o jogo não acabar. Mas se levarmos em consideração que ele serve para embebedar, cumpriu seu papel muito bem.


Ô joguinho maldito...

Assim, todos fugiram do forno do alojamento e foram até a fachada da UFF, com suas colunas antigas e bustos de bronze. Já havia algumas pessoas bebendo por lá e continuamos vários papos, muitos sem nexo. O Gui pegou o violão de alguém emprestado e começamos e puxar clássicos do Anexo do C6, como o Taj Mahal, Mamonas Assassinas e Dazaranha, onde muita gente ficou só ouvindo. Mas nesse momento, quando tudo estava indo tão bem, nosso violão foi sabotado por alguém que não sabia tocar. Uma lástima. Conseguimos recuperá-lo em seguida, mas o sequestrador possuía mais uma arma: a flauta de bambu. O pior é que ele tocava todas as músicas como um encantador de serpentes, repetindo três notas repetidamente, como se tentasse em vão encaixar algo na melodia da canção. Um porre que se repetiria mais vezes.

Eis que nessa hora nos lembramos que era sexta-feira e nenhuma coisa era mais importante do que descobrir a verdade: Quem matou Saulo? Ligamos para a Camila Barros (ADM) e o Tadeu (Contábeis) que não souberam responder. Já o Thiago (RI) respondeu de prontidão: Clara. Por que será? Mais aliviados, mesmo inconformados com o clichê, continuamos a beber e falar besteiras.

Alguns voltaram para as barracas, enquanto outros continuaram na bebedeira. Foi aí que legalizaram geral e tudo ficou meio obscuro. Um cara do Espírito Santo começou um papo sobre a fuga da alma quando espirramos e outras coisas mais. Cansado e sem cerveja, resolvi voltar também para o alojamento. Me senti desprivilegiado por não dormir perto da porta, pois a ventania era tão forte que as barracas balançavam freneticamente. Acho que as pessoas lá de dentro estavam com algum tipo de dor, pois gemiam muito alto. Ainda bem que havia três caras sentados bem em frente, assistindo a tudo o que acontecia na barraca, e pedindo silêncio para não acordar ninguém. Como é bom ter amigos!

Estava doido pra comer chocotone, por meu mp4 e dormir feito um anjo. Comecei a ouvir e, por falta de tomadas, na terceira música a bateria acabou. Foi aí que ouvi o Gui berrando que havia perdido a chave do seu apartamento, e vi o Diego ser convidado a deitar-se com outras meninas num colchão. Como eu sou um cristão exemplar, fugi daquela promiscuidade toda e fui tentar dormir. Afinal, minha mente já estava muito afetada pelas coisas mundanas.

Acordamos cedo, por volta das 8:30, com muito calor e uma ressaca infernal. Acordei e fui tomar banho. O banheiro já não estava como antes, estava bem pior. O chão era pura lama; alguém havia mijado na pia e havia escorrido por todos os cantos; as privadas estavam premiadas e duas cuecas serviam de prendedor para as portas. Mesmo assim tomei coragem e fui pro chuveiro, fazer o que...

Tudo o que eu queria era comida, e logo decidimos ir a alguma padaria. A organização era tão boa que nem cobraram a coca e o café que tomei. Devido às condições, o Gui aproveitou um banheiro decente para fazer suas necessidades matinais por lá. Aliás, foi aí que surgiu o bordão mais falado na viagem ao Rio. Alguém comentou que seu maior desejo naquele momento era ir a um shopping, pois os banheiros de shoppings sempre são bem limpos e agradáveis. A partir deste momento, "ir ao shopping" passou a ser a expressão equivalente a "khr".

Foi aí que, enquanto o DCE fazia a sua plenária paralela que não interessava a nenhum de nós, resolvemos procurar algum shopping para usar o shopping. Andamos algumas quadras e passamos por uma loja maçônica e o gigantesco DCE da UFF, bem diferente daquela salinha 4x4 provisória da UFSC. Almoçamos e fomos conhecer o MAC (Museu de Arte Contemporânea), projetado pelo Oscar Niemeyer (103), o Highlander brasileiro. Eu devo ter comentado umas duzentas e dezessete vezes que ele é tão foda que os ângulos laterais do monumento são paralelos ao Pão de Açúcar e a um morro de Niterói.


Os ângulos laterais do monumento são paralelos ao Pão de Açúcar... [218]

E em meio às esculturas esdrúxulas do museu decidimos que sairíamos do alojamento de Niterói e iríamos para a Ilha do Fundão, na UFRJ, no Rio. Lá estava o maior alojamento do CONEB, e acreditamos que seria mais legal conhecer várias pessoas diferentes de todos os estados do Brasil do que conviver com as caras conhecidas do DCE. Pena que mal sabíamos o que nos esperava pela frente.


[Continua...]

Um comentário: