UFSC no Rio - 1ª parte

Certo dia vieram me perguntar se eu iria para o CONEB. Eu perguntei que diabos era aquilo, e me explicaram que era uma espécie de CEB mas com gente do Brasil inteiro. Também me disseram que seria no Rio de Janeiro. Bom, já que estaria sem emprego nesse tempo, decidi ir.

Eu sabia que 99% das pessoas que iriam seriam comunistas e socialistas, e isso me dava arrepios na espinha. Não sei se conseguiria sobreviver com tantos selvagens por infindáveis 11 dias. Já tinha conversado com a Camila Barros, formada em ADM, e ela me contou de suas experiências em Salvador, dois anos atrás. Para mim mais parecia uma versão brasileira de Jogos Mortais, mas eu já tava no mato mesmo, não tinha mais como voltar.

Dia 13 estávamos lá, na frente do Elefante Branco. Não conhecia metade da raça, mas logo vi o grupo que me acompanharia por todos os dias (ou quase): Tassi (Letras), Marcelo e Gui (Contábeis), Diego e Camila (ADM) e Carina (Economia). Aos poucos a galera foi se enturmando e coisas bizarras foram aparecendo. Alguém estava levando seus pertences numa caixa de absorventes. E até nisso eles fazem questão de mostrar sua ideologia política: a caixa de papelão era Sempre Livre.


Todos ainda muito bem...

Subimos, a viagem se iniciou e começamos a beber. Pelo menos eu e o Diego levamos um cooler cada de cerveja. No meio da bagunça eis que surge uma figura meio esquisita (o que não era tão difícil de se encontrar) "tocando" violão. Ele me perguntou se era eu quem tinha feito aquela chapa de zoação nas eleições do DCE. Fiquei encucado e comecei a prestar mais atenção na criatura. De repente alguém chamou ele de Cris. Opa... Me parecia familiar. Depois perguntei pro William (conhecido dele que estuda na Univali de Itajaí) qual o seu nome.

- É Cris...
- Não, o nome completo - insisti.
- Cristiano. Por que?
- Não seria, por acaso, Cristiano Rafael?
- É isso, sim.

Ahá! Finalmente havia descoberto uma das incógnitas da lista do CEB: O cara que assinava como Cris mas seu nome era Rafael. Enfim, até que essa esquisitice fica meio que de lado quando se conhece ele pessoalmente. E isso era só o começo. Os papos e besteiras foram surgindo e todos foram ficando a vontade. Que o diga alguns que liberaram geral seus gases. Acontece.

Lá na frente do busão o Arland fazia maliciosamente massagem em uma menina, enquanto nós enchíamos a cara no fundão. Eu me passei, lógico. No fim da noite abriram um vinho e obviamente alguém derrubou no banco do ônibus. Depois tomamos um suco de uva, e eu derrubei um pouco também. A bagunça estava fora do controle quando uma menina, incomodada, veio reclamar do barulho. Nós berramos "isso aqui não é hotel, não!" e eu e o Celião (Cênicas) entoamos o famoso "se eu não durmo ninguém dorme!". O Cris (Rafael) tentou fumar um cigarro dentro do banheiro e quase foi linchado por todos quando a fumaça se espalhou por tudo o busão. Claro, capotei minutos depois e no outro dia algumas pessoas olharam meio torto pra mim. Mas isso já é até normal.

Os motoristas filhos da fruta paravam somente em postos caríssimos, mas pelo menos tínhamos ótimos banheiros. Aliás, os banheiros serão grandes protagonistas dessa viagem, mas isso é algo para mais tarde. Enquanto viajávamos curtindo uma deliciosa ressaca, no DVD rolava Teodoro & Sampaio, com seus clássicos como "Quem tá com a roela do Eno". Um primor.

Muitas pessoas quando viajam tiram fotos de belas paisagens, pontos turísticos... Mas o pessoal de LUTA é diferente! Tiram só fotos dos barrancos desmoronados e das favelas. Vai entender...

Como estava tudo meio tedioso, decidimos jogar o Jogo do HUFSC. Maldito jogo! Regados à Maracujá Joinville, começamos e logo que percebi estava só de cueca no meio da galera. Com certeza a cena foi bizarra, mas pelo menos não caí em mais alguma casa de tirar roupa.


Deprimente.

Logo (?) cruzamos a ponte Rio-Niterói e chegamos na UFF (Universidade Federal Fluminense). Levamos as coisas até o alojamento e pudemos conhecer as belíssimas acomodações: Um ginásio com a agradável temperatura de 45º ao fim do dia, duas tomadas para mais de 100 pessoas, e o banheiro... Ah, o banheiro! Dois belíssimos chuveiros, duas privadas sem fechadura e a pia, sem base, apoiada em cima de uma cadeira escolar na mais perfeita gambiarra fluminense.


As outras delegações bem à vontade.

Lá estava, além da nossa delegação, mais uma galera de outras universidades, mas conhecemos poucos. Eles eram de LUTA demais, e ficavam pintando faixas e praticando discursos o tempo todo. Mas o melhor do alojamento era o que havia ao redor: Muito comércio! Tinha um bar bem na frente da UFF, e foi para lá que fomos logo que arrumamos nossas coisas. O Brichet (ADM) já estava bebaço com uma galera do Espírito Santo e foi aí que decidimos pagar mais barato pra beber. Sábia escolha.


AEEEEEEEEEEEEEEEE!

No supermercado, logo na entrada, havia uma sacola de pano com a frase "Eu sou uma sacola verde", mas a porra da sacola era bege! Na verdade deveria estar escrito "Eu sou uma sacola daltônica". Em janeiro muitos preços despencam, e por isso pensamos: Por que não curar nossa larica da noite com suculentos chocotones? Outra sábia escolha. Na área mais importante da loja achamos uma cerveja chamada Cintra. Só pode ser perseguição! A qualidade é duvidosa, uma vez que custa R$0,75 e o slogan é "Por uma vida sem frescura". Bom, não quisemos arriscar. Compramos outra cerveja e uma deliciosa Jurupinga também, que garantiu a noite de muitos.


UFF.


A noite prometia, e cumpriu.


[Continua...]

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