Coluna da Paola

A cada dia que passa perco mais as minhas esperanças em conviver com pessoas da minha classe na UFSC. Bando de selvagens! Ainda bem que anda consigo manipular quem eu quero e do jeito que bem entendo, até porque neurônio nessas pessoas é algo que não existe.


Eu já estava cansada de pôr a perder meus lindos scarpin comprados nas mais belas vitrines de Paris andando por aqueles esburacados corredores da Universidade. Céus, quem pode exibir sua elegância torcendo os tornozelos nas crateras daquelas calçadas mal acabadas? Óbvio, para aquelas songamongas bicho-grilo fedorentas que andam só de havaianas não há do que reclamar, mas eu cansei. Liguei para a Ouvidoria ameaçando denunciar a UFSC por não respeitar as normas de acessibilidade (como se eu realmente estivesse preocupada com isso... HIHIHIHIHEHEHEHEHEHAHAHAHAHAHA!!!!!). Na mesma semana providenciaram calçadas nova e planas. Claro, não são o mármore grego que temos na mansão dos Bracho, mas já me serve para deslizar com meus Piper Heidsieck.

Há algumas semanas fui convidada para participar de uma chapa concorrendo ao DCE. Obviamente mandei a pessoa que me ligou calar a boca na hora! Imaginem eu, Paola Bracho, virando militante de uma espelunca daquelas onde só tem maconheiros e desocupados que só sabem reclamar da tarifa de ônibus? Eu tenho verdadeiro horror a esse tipo de gente! Se acham os ônibus caros, fiquem em casa e nos livrem dos piolhos que carregam naquelas barbas e sovacos por depilar. Mas a pessoa que me ligou, um tal de Claico, insistiu tanto que marquei uma breve reunião. Logicamente, escolhi o único lugar descente pra se comer no campus: a praça de alimentação do Elefante Branco. Aliás, aquele é o único prédio que se salva, mesmo vendendo aqueles moletons horrorosos.

Confesso que a aparência do Claico me assustou: um velho sugismundo, barbudo, franzino e com cara de maluco, fedendo como uma nota de cinquenta reais. Mas já que estava lá e estava esperando Donato, meu delicioso amante, resolvi dar uma chance ao velho retardado. Ele me contou que sua intenção era se apossar do DCE para conquistar votos ao Senado. Tudo ficou mais claro quando me disse que seria coordenadora financeira, e que muito dinheiro passa pelas mãos desse Diretório. Meus olhos brilharam como cristais Swarovisk legítimos quando ele me mostrou documentos secretos com os fluxos de caixa do DCE. Percebi ali mais uma chance de finalmente faturar com a Universidade que Carlos Daniel havia me jogado.

Sempre procuro uma forma de me dar bem em cima dos estudantes acéfalos. Minha cartada mais recente foi seduzir o reitor e convencê-lo a criar uma taxa para frequência insuficiente. Assim eu estabeleceria um nível mínimo: as pessoas que ficam na sala para assistir as aulas não me interessam, pois são nerds ou pobres; as que faltam deverão pagar a taxa. Se pagarem, posso ao menos lhes dar um "oi esnobe" e começar a perceber que realmente tem um resquício de valor. E aos poucos, de cem em cem reais, iria aumentar meu orçamento e pelo menos pagar o banho e tosa da Fifi.

Quase tudo na UFSC consegue permanecer sob controle. Quase, se não fosse a maldita da minha irmã gêmea, Paulina. Ela desde muito pequena tem um papinho furado de ajudar os pobres e ser bondosa com os outros... Ah, faça-me o favor! Ainda bem que mal convivo com ela, pois ela cursa Serviço Social e no restante do tempo visita entidades beneficentes. Que vergonha dessa minha irmã! Nem parece que nasceu da mesma mulher ignorante de onde tive a infelicidade de sair. E para piorar, ela defende até quem me prejudica diretamente.

Há alguns meses atrás eu estava saindo de uma festinha de uma amiga minha da Medicina e indo para a Taikô. Quando chego na porta do carro, um moleque pilantra me ameaça com uma faca e pede a minha bolsa da Victor Hugo! Fiquei tão furiosa que avancei com um tapa na cabeça dele, mas ele foi mais rápido e cortou a minha mão, saindo correndo em seguida. Eu tinha certeza de que me vingaria daquela criatura imunda muito em breve, e no dia seguinte pedi para que o jardineiro Chico, aquele insosso, descobrisse algo sobre o marginalzinho de uma figa. Cumprindo minhas ordens, Chico descobriu o nome do moleque: Ronaldinho. Ele era conhecido na região pelos pequenos furtos em Centros Acadêmicos e andar drogado e desarrumado, conseguindo se infiltrar facilmente em alguns grupinhos de estudantes paspalhos.

Mas aí veio a Paulina, com aquele papinho de "Vamos proteger o garoto, ele não tem família...". A família dele que se dane! Ninguém mandou ele mexer com a verdadeira Paola Bracho! Estava disposta a dar um fim naquele delinquente de uma vez por todas, afinal é como sempre digo, os mortos não falam (eeee não roubam! HIHIHIHIHEHEHEHEHEHAHAHAHAHAHA!!!!). Mandei meus capatazes irem atrás dele e dar-lhe um fim, mas não o encontraram em lugar algum.

Fui para casa, já que estava na hora de meu banho de sais. Logo que cheguei, para a minha surpresa, dei de cara com o safado do Ronaldinho! Paulina havia dado abrigo a ele em minha própria casa! Me enfureci e disse que aquilo havia passado dos limites. Paulina defendeu o piolhento recitando Direitos Humanos e a Bíblia. AAAAAAAAAHHHH!!! Que chatice! Decidi deixá-la falando sozinha e, de uma vez por todas, acabar com aquela história toda.

No dia seguinte voltei de uma aula aporrinhante de Cálculo V e iria ao Iguatemi comprar o presente de aniversário da Paulina. Mas antes decidi ir até a delegacia, afinal eu tinha um crime para denunciar. Alguém havia assassinado o pobre Ronaldinho, coitadinho...

2 comentários:

  1. tipo a paulina matou o ronaldinho..... porra... a Paola é mto esperta... ahuahuahauhauhauhauhauhauhauah

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