Coluna da Paola

Eu ainda não sei como consigo continuar nessa espelunca que insistem em chamar de Universidade... Talvez seja para que eu nunca esqueça que sempre pode haver alguém com o tipo mais miserável de vida possível.




Meu nome é Paola Bracho, nascida e criada nas mais belas e ricas cidades do mundo, mas vim parar nessa ilha nojenta fedendo a peixe. Fiz o vestibular para a UFSC por insistência do meu marido, Carlos Daniel, que me garantiu a qualidade dessa instituição. Hunf! Acho que se eu vir mais uma pulga em minhas pernas nas aulas no CFM denunciarei aquilo para a Vigilância Sanitária. Se tenho influência? Hum... Quer experimentaaar? HIHIHIHIHEHEHEHEHEHAHAHAHAHAHA!!!!!

Há algumas semanas atrás me vi em apuros pois a incompetente da Lalinha, a songa-monga que a Vovó Piedade contratou para lavar a sujeira que fazemos de propósito na mansão dos Bracho, ficou doente e não fez o meu almoço de Polipo del Bosco. Para piorar, o chofer esqueceu minha carteira no motel e estava sem nenhum dos cartões do Carlos Daniel. Assim, não tive escolha e decidi almoçar no RU.

Como alguém pode almoçar naquilo? Francamente, é o lugar mais tenebroso que eu já pisei. Nem o banheiro da Lalinha tem mais bactérias que aquelas bandejas. Demorei 43 segundos para achar um talher que não estivesse sujo e um prato sem lascas ou manchas. Fora aquela gente esquisita me olhando, invejando a minha classe e beleza. Me servi de um creme verde, aparentemente aspargos, e de algo que parecia um estranho Carbonade Flamande (para os pobres ignorantes, um ensopado francês de carne). O rapaz da minha frente coçou suas partes íntimas com o garfo e com o próprio espetou as folhas de alface. Que horror!

Sentei e chamei o garçom. Só depois de dez minutos uma velha, gorda e porca apareceu no corredor para colocar mais maçãs apodrecidas para servir. Acenei e pedi um suco de melancia, mas acho que a coitada é, além de miserável, surda. Não consegui comer nem duas garfadas daquela lavagem que me serviram, e fui pessoalmente à sala do reitor EXIGIR uma alimentação melhor. Afinal, quem pode manter uma pele sem oleosidade com aquela gororoba?

O reitor, sempre muito solícito, concordou com a mudança e disse que já no dia seguinte faria alterações no cardápio do RU. Saí satisfeita, esperando que a ralé da UFSC viesse beijar meus lindos pés no dia seguinte. Ainda naquela noite tive que aguentar uma aula entediante de Interação Comunitária VII, me fazendo sair para fumar três vezes.

Acordei pela manhã tirando as rodelas de pepino dos olhos traquilamente. Meu dia de glória havia chegado e, com ele, vários pretendentes milionários para serem meus novos amantes. Prefiro sempre ter algumas cartas na manga, até porque não se sabe o dia de amanhã. Me surpreendi com a rapidez com que me arrumei, e em menos de três horas estava a caminho da UFSC. Quando cheguei ao pátio da reitoria vi um aglomerado de imundos, todos alvoroçados e falantes como todo pobre genuíno. Fui chegando mais perto, com cautela, para saber do que se tratava, e logo confimei minha suspeita: os carniceiros falavam sobre a nova comida do RU - strogonoff de camarão e morangos de sobremesa. Confesso que me decepcionei bastante com o Prata, pois esperava algo como Escargot Petit com Profiteroles de sobremesa. Mas decepção maior foi com o desprezo ao meu favor.

Ao comentar com alguns acéfalos que se chamam de estudantes sobre meu pedido na reitoria, muitos riram e debocharam. Alguns ficaram desconfiados que minha afirmação era verdadeira, mas pouco me importava com o que aqueles xexelentos pensavam sobre mim. Foi então que percebi os olhares de um rapaz... Ele não aparentava ser rico, mas na Universidade muitos escondem o ouro. Ele ficou me encarando e eu estava certa de que aquele seria meu dia de sorte. Só que aos poucos ele foi mudando a feição para algo assustador e constrangedor. Me mandou um beijo e começou a tirar a roupa, abraçou uma bananeira, se enrolou em uma bandeira e colocou uma gaiola na cabeça. Eu não consegui aguentar todo aquele show de horror e saí aos berros:

- Seus MALDITOS! MALDITOS! Pois essa vai ser A ÚLTIMA VEZ que verão comida de qualidade no RU, seus MAL AGRADECIDOS! MALDITOOOOS!!!

Fui direto à reitoria. O Prata não estava, mas falei com o Paraná. Mandei suspender toda a alteração no cardápio e, para que minha vingança fosse completa, ordenei que fechassem a ala B do RU. Todos concordaram comigo e prontamente acataram às minhas ordens.

Essa foi somente uma das vezes que usei meu poder e dinheiro para fazer as coisas do meu jeito na UFSC. Não me importo de parecer cruel ou maldosa. Não é segredo que sou uma mulher perigosa e ambiciosa, e procuro não deixar rastros da minhas atitudes. Se há testemunhas?

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