Machistomofobia

Deserto do Saara. O maior deserto do mundo. Tirando a falta de calor e o excesso de chuva, fica fácil confundí-lo com os últimos dias da UFSC. Férias antecipadas? Quase. Um concurso público fez com que vários cursos parassem, incluindo quase todo o CSE (claro, o Serviço Social não pode parar de trabalhar nunca), e por isso não haverá aula até o dia 15. \o/ Tirando isso, o que movimenta a região é a famigerada Festa da Laranja, na praça do Pida. Para quem não sabe, ela ocorre porque antes de ser UFSC, o local era uma gigante fazenda de laranjeiras. Contudo hoje laranjas na região são tão raras quanto coordenadores de curso.

Enquanto isso muito se fala e discute sobre dois temas: Machismo e Homofobia. Sim, isso mesmo, a conhecida "machistomofobia" da UFSC. Não da UFSC em si, mas a luta contra isso. Bom, eu explico o que acontece.

Há vários cursos que lutam contra a machistomofobia. Esse preconceito cultural, segundo eles, deve ser combatido ferrenhamente e de todas as formas, dentro da universidade, pois é dela que sairão alguns dos formadores de opinião da futura sociedade. Na verdade todos combatem isso (ou a maioria), mas alguns são mais radicais. Só que há coisas que eu tento, tento, mas não consigo entender.

No churrasco da Oikos, campeonato da Economia, depois de muito tempo (e muita cerveja) o som começou a rolar. Os chamados "Livres" do C6 (Economia e Serviço Social) são os que mais combatem a machistomofobia. Brigam mesmo! Mas no meio da festa estavam dançando todos, numa rodinha, vários clássicos funk como "Créu", "Piriguete" e "Ela balança mas não pára" até o chão, chão, chão. Vai entender... Esses cursos, por exemplo, não apoiaram a festa do C6, o C6 a Bordo, porque há o slogan "Mulheres e tequila primeiro". Bom, eu sou da opinião de que a mulher que quiser bebe, a que não quiser entra depois com a macharada, não é? Mas como é que o C6 pode ser machistomofóbico com uma logo tão feminina e alegre como essa?

Sim, meus caros, a logo do C6 foi forjada pelo nosso amigo frequentador da Jivago Gaytor Heitor, da Contábeis, com as mesmas cores do movimento GLBTSWXYZ. Muitos duvidam, pois dizem que as cores desse monimento são as dos arcos íris. Depois de algumas pesquisas vou mostrar que não: as cores do C6 e do Movimento GLBTSWXYZ são as mesmas:

O acento no Econômia não é erro gramatical, e sim o nome que adotaram em 2009.2

Viram? Pois bem. Mesmo assim alguns outros cursos no C6 ainda discutem esse tema. No útlimo debate entre chapas do Direito, disputando o CAXIF, um assunto em pauta foi qual? A machistomofobia.

Ontem rolou a Festa TransECaEL, do Encontro Catarinense de Estudantes de Letras. Nela os meninos se vestem de menina e vice versa, justamente para protestar contra uma festa onde os estudantes homossexuais travestidos foram barrados. Bom, eu não sabia disso quando cheguei, e confesso que achei tudo bem estranho. Mas se tratando de Letras, logo percebi que nem tudo estava tão errado assim. Estava muito frio, e juntando com o recesso da UFSC após o feriado, o público não passava de 60 pessoas. Um happy hour com 60 pessoas num sábado de frio poderia render histórias? Claro!

Primeiro estava muito engraçado ver o pessoal trocado. Algumas estudantes de Letras, mesmo vestidas de homem, estavam gostosas (ops, isso foi machistomofóbico). Os menino(a)s estavam hilários, em especial o Matheus (ex-Administração, História). Houve um desfile onde o vencedor(a) foi uma tal de Ana Olivia - ah, mas ele era profissional.

Logo após uma menina pegou o microfone e protestou contra o concurso "Esse terminal é uma passarela", da RBS. "Nós não somos só um corpo, nós temos um cérebro!", disse ela. Ok, concordo plenamente. Minutos depois meninas dançavam funk freneticamente em cima da bancada do bar. Como eu posso entender isso? Claro, houve protesto da parte das próprias estudantes, que bateram boca o bastante para tirá-las de lá aos berros de "Vocês não são objeto!". Uma das meninas que dançava me confessou, choramingando, que ela subiu lá porque queria e gosta disso. Comofas?

Os ânimos ficam exaltados quando a bebida entra. Houve tapa, soco e pontapé, mais de uma vez. Homens brigando por causa de mulher? NÃO! Bom, pelo menos fisicamente. Uma baixinha, parrudinha e com cara de poucos amigos brigou feio com outra menina no meio da lama. Com jaqueta de couro, cabelo preto curto e mais macho do que muita gente que eu conheço, ela botou pra quebrar até os seguranças separarem (um só tentou e não deu conta). No fim, rolou muita Lady Gaga e Beyoncé, enquanto eu, o Couto e o Douglas (Administração) comentávamos da bizarrice daquilo tudo.

O que se conclui? Existem varias formas de se evitar a machistomofobia. Alguns levam na brincadeira, outros não podem nem ouvir falar. O que se deve fazer é respeitar as pessoas como elas são e a forma como elas pensam, seja de si mesmo como o jeito que fazem o Movimento Estudantil. Cada cabeça sua sentença; não se pode querer fazer com que ideias sejam engolidas, mesmo que a intenção seja boa. Cada um luta contra esses preconceitos idiotas da forma com que acha melhor e mais conveniente.

Hoje aconteceu a maior manifestação contra a machistomofobia do mundo: a Parada Gay de São Paulo. Exatamente nesse meio tempo o LF ficou offline no MSN.

Mistério.

5 comentários:

  1. Depois desse post... nem sei o que falar. Vai ler um pouco sobre gênero, vai! E nem preciso de resposta, muito menos quero debater isso contigo sem que tenhas se aprofundado no assunto.

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  2. So uma correção, as festas TRANS acontecem em todo encontro de Letras que a Executiva ajuda a construir. Seja estadual, regional ou nacional. Ela acontece porque uma vez nos anos 90, durante um Encontro Nacional de Letras, um casal gay do sexo masculino foi covardemente xingado por estar se beijando durante uma das festas. Logo em seguida toda a festa trocou de roupa - homens se vestiram de mulher e vice-versa - como forma de protesto pelas perseguições que ocorrem contra pessoas homoafetivas. Desde então , sempre antes da festa trans[enel, erel , etc], tenta-se aprofundar o assunto em forma de mesa, GD ou filme, para que os encontristas entendam o motivo da festa.

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  3. Hey Mei, tu me explicou exatamente assim na festa, mas acho que eu já estava meio bêbado. É bem isso mesmo pessoal! =P

    Valeu Mei!

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